Uma mulher britânica deve dar à luz um bebê geneticamente modificado, desenhado para fornecer o tecido que poderia ajudar o outro filho do casal, de quatro anos de idade, em sua luta contra a leucemia.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a mulher - que não quis ser identificada - viajou para os Estados Unidos onde fez uso da tecnologia de fertilização in vitro, não autorizada na Grã-Bretanha.
A criança - que será a primeira produzida com o uso da nova tecnologia - deve nascer até o fim do ano.
O filho de quatro anos do casal está se recuperando de uma leucemia, mas há 25% de chance de ter uma recaída e, se isso acontecer, ele vai precisar de um transplante de medula.
Melhores chances
Um irmão ou irmã criados para ter um sistema imunológico que combine perfeitamente com o do irmão aumenta as chances de sucesso de um possível transplante.
Mas a tecnologia é altamente controversa porque envolve uma checagem dos embriões e aqueles que não contiverem o código genético correto podem ser descartados.
Falando em condição de anonimato, o casal negou as acusações de que estaria criando um "bebê projetado com as características escolhidas pelos pais".
Segundo o Guardian, o marido teria dito: "O que a gente projetou? A gente não projetou nada."
"É muito fácil lidar com todos esses dilemas éticos quando você não está na fogueira", disse ele.
"Pelo menos, podemos olhar um ao outro no olho e dizer que havia algo que poderíamos ter feito e nós fizemos", disse a mulher. Ela viajou para Chicago para fazer o tratamento que custou cerca de R$ 125 mil.
O especialista britânico em fertilização in vitro Mohammed Taranissi apoiou o casal. "Nós não estamos criando bebês sob encomenda. Não estamos tentando escolher a cor dos olhos ou do cabelo. Estamos tentando evitar doenças".
Segundo caso
No início deste mês, um casal de Leeds, Raj e Shahana Hashmi, anunciou que pretende pedir permissão para se submeter a um tratamento parecido na Grã-Bretanha, para criar um bebê que pudesse ajudar o outro filho do casal.
Zain, de dois anos e meio de idade, sofre de talassemia, uma doença genética que pode ser fatal.
Um hospital especializado em Nottinghamshire já concordou em ajudar o casal, mas ele precisa da autorização da Autoridade para Embriologia e Fertilização Humana da Grã-Bretanha.
O casal já anunciou que, se não conseguir a autorização, vai para os Estados Unidos fazer o tratamento.
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