Cientistas britânicos descobriram uma nova doença degenativa do cérebro.
A doença tem o nome provisório de "neuroferritinopatia" e é provocada pelo acúmulo anormal de ferro no cérebro.
As pessoas que sofrem da doença têm dificuldades para controlar os seus movimentos, mas não apresentam nenhum sintoma de demência.
A descoberta foi feita a partir de pesquisas realizadas com uma família da região britânica de Cumbria, cujos antepassados começaram a sofrer do mal há mais de 200 anos.
Acúmulo de ferro
As pesquisas foram lideradas pelo professor John Burn, da Universidade de Newcastle, que vem estudando a família há 15 anos.
Os integrantes da família acreditavam que tinham uma predisposição genética para desenvolver uma variante do mal de Parkinson ou do mal de Huntington.
Alguns dos sintomas da "neuroferritinopatia", de fato, são parecidos com os das outras duas doenças. Mas a maior diferença é que os seus portadores não apresentam modificações na sua capacidade de raciocínio.
Uma das integrantes da família de Cumbria se suicidou recentemente quando descobriu que sofria da mesma doença que havia acometido alguns de seus parentes.
A sua morte abriu caminho para a descoberta da nova doença. Durante os exames post-mortem, os cientistas descobriram que o seu cérebro tinha um grande acúmulo de ferro.
"Eu estava quase convencido de que eles sofriam do mal de Huntington, mas não é nada disso," afirmou o professor Burn.
"Uma mulher estava sofrendo há 30 anos. Embora ela não conseguisse controlar os movimentos, ela se saia melhor do que os outros membros da família em qualquer competição de perguntas e respostas," afirmou ele.
Pesquisas
Ao estudar a família e ao fazer os exames post-mortem, a equipe do professor Burn descobriu um erro na chamada "seqüência de ferritin".
O ferritin é uma proteína que ajuda a armazenar ferro nas células e evita que a substância cause problemas à saúde.
O erro na sua seqüência acabou levando membros da família a armazenar muito ferro no cérebro, prejudicando os seus movimentos.
Sempre foi difícil constatar se o acúmulo de ferro tinha algum impacto significativo nas doenças degenerativas porque o corpo humano tende a acumular a substância com a idade.
"Agora nós vamos tentar descobrir o que causa o problema e se existe alguma forma de diminuir o acúmulo de ferro do cérebro," disse o professor.
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