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21 de julho, 2001 - Publicado às 19h16 GMT

ONU consegue acordo para controlar venda de armas leves
Existem 500 milhões de armas leves no mundo
Existem 500 milhões de armas leves no mundo

Ao fim de duas semanas de intensas negociações, representantes de diversos países reunidos na sede da ONU em Nova York, conseguiram chegar a um acordo para o controle de armas leves no mundo.

O acordo tenta dificultar a venda ilegal de armas leves e de pequeno porte. Mas para que o acordo fosse possível, os delegados tiveram que ceder às reivindicações dos Estados Unidos em duas questões fundamentais.

A população civil continuará tendo o direito de possuir armas e os governos poderão continuar vendendo armamento a grupos rebeldes.

Entretanto, o documento pede aos governos que aprovem legislação regulamentando a venda de armas leves, e adotem medidas que facilitem a identificação e o controle da movimentação dessas armas.

Medidas

Outras medidas incluídas no acordo:

. desarmamento dos grupos combatentes ao final dos conflitos

. destruição do estoque de armas leves

. realização de campanhas de utilidade pública para conscientização dos perigos do comércio ilegal de
armas leves.

A delegação americana insistiu para que os Estados Unidos conservassem o direito de fornecer armas para os chamados "personagens não-governamentais".

Durante o encontro, os delegados dos países africanos lutaram para tentar fazer com que a venda de armas ficasse restrita aos governos ou a organizações aprovadas pelos governos.

O representante da Nigéria, Sola Ogunbanwu, disse que "ao vender armas aos ´personagens não-governamentais´estamos na verdade equipando os grupos rebeldes que tentam derrubar os governos constituídos."

Mas os africanos cederam quando ficou claro que os EUA não aceitariam um acordo que impedisse a venda de armas a grupos insurgentes.

"Egoísmo"

Uma ativista que defende o controle da venda de armas disse que a posição dos Estados Unidos era "incrivelmente egoísta."

Rebecca Peters, do Instituto Sociedade Aberta, acusou os EUA de "ameaçarem a segurança de milhões de pessoas em diversos países, simplesmente para agradar os interesses de fabricantes e comerciantes de armas americanos."

O presidente da conferência, o colombiano Camillo Reyes, disse que o resultado poderia ter sido melhor, mas disse que o acordo é "um grande começo".

O documento aprovado pela ONU não tem força legal, mas servirá de base para uma ação mundial coordenada pelos países membros.

Preferência

Segundo a ONU, as armas leves e de pequeno porte - que incluem pistolas, rifles e metralhadoras - foram preferidas por 46 dos 49 grupos que lutaram em conflitos armados durante a década de 90.

Estes conflitos causaram a morte de 4 milhões de pessoas, sendo que cerca de 90% das mortes ocorreram entre civis.

As armas de pequeno porte são leves o bastante para serem manejadas por crianças.

A ONU estima que cerca da metade das 500 milhões de armas leves existentes no mundo são ilegais.

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