Ao fim de duas semanas de intensas negociações, representantes de diversos países reunidos na sede da ONU em Nova York, conseguiram chegar a um acordo para o controle de armas leves no mundo.
O acordo tenta dificultar a venda ilegal de armas leves e de pequeno porte. Mas para que o acordo fosse possível, os delegados tiveram que ceder às reivindicações dos Estados Unidos em duas questões fundamentais.
A população civil continuará tendo o direito de possuir armas e os governos poderão continuar vendendo armamento a grupos rebeldes.
Entretanto, o documento pede aos governos que aprovem legislação regulamentando a venda de armas leves, e adotem medidas que facilitem a identificação e o controle da movimentação dessas armas.
Medidas
Outras medidas incluídas no acordo:
. desarmamento dos grupos combatentes ao final dos conflitos
. destruição do estoque de armas leves
. realização de campanhas de utilidade pública para conscientização dos perigos do comércio ilegal de
armas leves.
A delegação americana insistiu para que os Estados Unidos conservassem o direito de fornecer armas para os chamados "personagens não-governamentais".
Durante o encontro, os delegados dos países africanos lutaram para tentar fazer com que a venda de armas ficasse restrita aos governos ou a organizações aprovadas pelos governos.
O representante da Nigéria, Sola Ogunbanwu, disse que "ao vender armas aos ´personagens não-governamentais´estamos na verdade equipando os grupos rebeldes que tentam derrubar os governos constituídos."
Mas os africanos cederam quando ficou claro que os EUA não aceitariam um acordo que impedisse a venda de armas a grupos insurgentes.
"Egoísmo"
Uma ativista que defende o controle da venda de armas disse que a posição dos Estados Unidos era "incrivelmente egoísta."
Rebecca Peters, do Instituto Sociedade Aberta, acusou os EUA de "ameaçarem a segurança de milhões de pessoas em diversos países, simplesmente para agradar os interesses de fabricantes e comerciantes de armas americanos."
O presidente da conferência, o colombiano Camillo Reyes, disse que o resultado poderia ter sido melhor, mas disse que o acordo é "um grande começo".
O documento aprovado pela ONU não tem força legal, mas servirá de base para uma ação mundial coordenada pelos países membros.
Preferência
Segundo a ONU, as armas leves e de pequeno porte - que incluem pistolas, rifles e metralhadoras - foram preferidas por 46 dos 49 grupos que lutaram em conflitos armados durante a década de 90.
Estes conflitos causaram a morte de 4 milhões de pessoas, sendo que cerca de 90% das mortes ocorreram entre civis.
As armas de pequeno porte são leves o bastante para serem manejadas por crianças.
A ONU estima que cerca da metade das 500 milhões de armas leves existentes no mundo são ilegais.
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