O Banco Mundial resolveu cancelar uma conferência anual sobre desenvolvimento que realizaria em Barcelona e anunciou que a reunião será realizada via internet.
A decisão do banco foi tomada depois dos tumultos da semana passada que marcaram as manifestações de protesto contra o capitalismo e a globalização por ocasião da reunião de cúpula da União Européia, realizada em Gotemburgo, na Suécia.
Jean-Christophe Bas, um representante do Banco Mundial, disse à BBC que o banco teme que os protestos planejados por grupos de ativistas franceses e espanhóis - que pretendiam fazer em Barcelona um "julgamento aberto" do Banco Mundial" - poderia descambar para a violência.
Segundo o representante, os grupos de ativistas recusaram o convite feito pelo banco para que participassem de um fórum aberto de debates a ser realizado durante a reunião de Barcelona.
Participação
Ao anunciar o cancelamento do encontro, a porta-voz do Banco Mundial, Caroline Anstey, disse que "a intenção de vários desses grupos de manifestantes que planejam ir à Barcelona não é participar dos debates ou contribuir de forma construtiva para a discussão e sim atrapalhar o evento...É hora de tomarmos uma medida contra esse tipo de ameaça a uma reunião livre."
Mas o Banco Mundial espera que a realização do encontro via internet possa criar um novo modelo que permita a participação ativa de milhares de usuários do mundo inteiro.
Aqueles que quiserem participar online devem se registrar no site do Banco Mundial, e poderão formular perguntas ao grupo de palestrantes, que incluirá o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn.
Entretanto, o Banco Mundial se reservou o direito de censurar as perguntas "consideradas inadequadas para uma audiência genérica e/ou que sejam incongruentes com os objetivos do evento."
Provocação
Jean-Christophe Bas disse que o banco espera que sejam abordadas questões "provocativas" que estimulem o debate. Ele disse esperar que milhares de pessoas participem dos debates.
A conferência via internet durará dois dias e vai abordar temas relativos ao desenvolvimento econômico nos países mais pobres e vai contar com a participação de diversos palestrantes da comunidade acadêmica.
O vice-presidente do Banco Mundial para a Europa, Jean-François Rischard, disse que "a conferência será realizada por vídeo, ao vivo, numa abordagem interativa que tem o objetivo de envolver um número maior de pessoas...para que possamos ampliar a cada ano o debate sobre as formas de combater a pobreza."
O evento vai incluir debates sobre o impacto da globalização e o papel das empresas multinacionais. Os debatedores colocarão suas perguntas para que sejam respondidas por Jean-Marie Messier, presidente executivo da empresa francesa de mídia, Vivendi Universal.
Contra-ataque
Os manifestantes antiglobalização também já perceberam a utilidade da internet.
Em janeiro deste ano, os ativistas utilizaram a internet para organizar e transmitir o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, ao qual compareceram 10 mil manifestantes.
O evento alternativo ocorreu simultaneamente ao Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça reunindo líderes políticos e econômicos de vários países.
Em setembro do ano passado, enormes protestos, convocados e organizados via internet, fizeram com que o Banco Mundial terminasse antecipadamente sua reunião anual realizada em Praga, na República Tcheca.
A reunião do G-8 - o grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia - marcada para o mês que vem, em Gênova, na Itália, também deve ser alvo de manifestações de protestos.
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