O governo da Austrália vai investigar denúncias de que soldados australianos foram usados como cobaias em testes nucleares nas décadas de 50 e 60.
Uma pesquisa da Universidade de Dundee na Escócia mostrou que 24 militares australianos foram usados em testes que tinham como objetivo verificar o grau de proteção que determinados tipos de roupa ofereciam contra radiação.
A pesquisadora Sue Rabbitt Roff disse que a pesquisa contraria as declarações do governo britânico de que nenhum ser humano havia sido usado em testes de armas nucleares.
A Grã-Bretanha fez testes na Ilha de Monte Bello, no oeste da Austrália, e em Maraling, no sul do deserto australiano.
Câncer
A pesquisadora disse que os militares receberam ordens para vestir determinados tipos de roupa, caminhar e se arrastar em áreas onde, horas antes, haviam sido feitos testes nucleares.
Morris May, advogado de um grupo de 30 militares da reserva que brigam na Justiça por indenizações pela exposição à radiação durante testes, diz que seus clientes foram usados como cobaias.
May disse que um de seus clientes, um motorista, conta que recebeu ordens para caminhar em uma área contaminada usando apenas o uniforme feito de algodão.
O governo australiano está reunindo um cadastro com pessoas que trabalharam nos testes. Elas vão participar de estudos sobre a incidência de câncer em pessoas expostas à radiação.
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