Os rebeldes do movimento Zapatista, no México, rejeitaram a lei de direitos indígenas aprovada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados - uma das condições para a retomada do diálogo com o governo.
O líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional, o subcomandante Marcos, disse num comunicado ao Senado que as mudanças impostas à lei deixam a população indígena em situação pior do que já estava.
Segundo o líder zapatista, a lei representa os direitos dos proprietários de terra e não os direitos dos indígenas.
O subcomandante Marcos disse ainda que a rebelião vai continuar no estado de Chiapas, e que os zapatistas só vão retomar o diálogo com o governo quando as tropas forem retiradas do estado, todos os rebeldes que estão presos forem soltos, e quando houver reforma da constituição.
Direitos alterados
O projeto de lei proposto pelo governo dava aos indígenas o direito de administrarem seu próprio sistema judicial e o governo local, mas foi alterado no Senado, depois que os críticos disseram que a lei ameaçava a unidade nacional.
Segundo os zapatistas, a lei aprovada não atende às exigências dos povos indígenas nem à sociedade civil, que se mobilizou pela causa.
No comunicado, o líder rebelde afirma que "não haverá mais contato entre o governo e a liderança zapatista".
Lei original
O projeto de lei original foi redigido pela Comissão de Concórdia e Pacificação, em base aos Acordos de San Andrés, assinados pelas lideranças indígenas e pelo governo federal em 1996.
Os rebeldes zapatistas afirmam que, com as alterações, o Senado e o governo fecham a porta ao diálogo e à paz em Chiapas, já que "não resolveram uma das causas que deu origem à rebelião zapatista há sete anos".
Os senadores reagiram dizendo que "nem os rebeldes, nem o presidente Vicente Fox vão ensiná-los como fazer seu trabalho".
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