O público britânico vai ser consultado sobre como cientistas devem investigar as possíveis conexões entre genética e comportamento.
O Nuffield Council on Bioethics, da Grã-Bretanha, quer descobrir como a opinião pública reage às pesquisas científicas ligadas à genética em tópicos como comportamento anti-social, obesidade, homosexualismo, agressão e inteligência.
Os cientistas da entidade se dizem dispostos a explicar o seu trabalho, e as implicações das pesquisas em que estão envolvidos, de forma mais ampla.
A pesquisa em genética do comportamento é controversa não só porque há dúvidas quanto à sua validade científica, mas também quanto a aspectos éticos, legais, sociais e quanto a implicações práticas das pesquisas.
Discriminação
Os críticos também se dizem preocupados com possível discriminação futura. Até o Nuffield Council admite que este tipo de informação, se tornada pública, pode ser usada de forma controvertida.
É possível, por exemplo, que criminosos que tenham um gene "criminal" possam ser encaminhados para um tratamento corretivo.
Fetos poderiam ser examinados ainda no útero, permitindo que traços de personalidade não desejados poderiam até mesmo ser alterados.
Sandy Thomas, diretora do Nuffield Council on Bioethics, acredita que as pessoas devem ter a chance de discutir o impacto de pesquisas em sua vida.
"Esta é uma área de pesquisa importante, que afeta a forma com que as pessoas se vêem e tem implicações na forma com que lidamos uns com os outros," explica Thomas.
A pesquisa em genética do comportamento tem como objetivo descobrir influências genéticas não só em anormalidades e forma extremas de comportamento, mas também em aspectos normais das nossas personalidades. Muitas das nossas pesquisas buscam fatores genéticos para traços que nós compartilhamos, em gradações diferentes: ansiedade, agressão e raiva, por exemplo. | | Sandy Thomas |
Ela explica que o fato tem implicações importantes:"Por exemplo, se fatores genéticos forem associados com o traços de comportamento como a orientação sexual, isto pode contribuir discriminação e estigmatização."
Eugenia
A entidade discute ainda se descobertas futuras poderiam ser manipuladas: "O preceito básico da eugenia é a idéia de que qualidades físicas, mentais e comportamentais do ser humano, podem ser melhoradas através de reprodução seletiva."
"E isto poderia encorajar pessoas com "qualidades desejáveis" a terem filhos e desencorajar ou impedir os que não têm estas qualidades, de procriar.
E lembra que este tipo de crença foi responsável por acontecimentos horríveis na Alemanha nazista e pela esterelização obrigatória de doentes mentais na Ámérica do Norte e no norte da Europa.
Uma porta-voz da Stonewall, o grupo ativista gay, afirmou que o escrutínio público é bem-vindo e que é importante que as pessoas sejam alertadas para os perigos deste tipo de pesquisa.
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