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27 de dezembro, 2000 - Publicado às 09h40 GMT
Senador norte-americano critica política dos EUA para Colômbia
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Exército acusado de violar direitos humanos |
O senador norte-americano Paul Wellstone pediu que o futuro presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, faça uma revisão do Plano Colômbia.
O senador democrata pelo estado de Minesota alegou a existência de supostas ligações das Forças Armadas colombianas com grupos paramilitares de direita. Segundo ele, os Estados Unidos não deveriam financiar o plano.
O senador defendeu seu ponto de vista em artigo publicado no jornal New York Times num momento em que aumenta a preocupação - especialmente entre os políticos liberais no Congresso - com as denúncias de graves violações dos direitos humanos que teriam sido praticadas pelo exército colombiano.
Wellstone disse que os paramilitares são responsáveis pela maioria dos massacres de civis que ocorrem na Colômbia todos os anos.
Território para rebeldes
As críticas à política norte-americana para a Colômbia surgem em meio a tentativas do presidente colombiano Andres Pastrana de abrir negociações mais concretas com o segundo grupo rebelde do país, o Exército para a Libertação da Colômbia (ELN).
Pastrana se encontrou com líderes comunitários do norte do país na terça-feira para discutir a criação de uma zona desmilitarizada para os rebeldes do ELN.
Segundo correspondentes, Pastrana terá bastante trabalho para convencer os moradores sobre os benefícios de uma zona desmilitarizada. Críticos da proposta dizem que os rebeldes usarão a área para se fortalecer, como teria acontecido no Sul do país com a zona desmilitarizada das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o maior grupo rebelde do país.
As zonas desmilitarizadas são condições impostas pelos grupos para estebeceler negociações de paz com o governo.
Já existe uma zona semelhante destinada ao maior grupo guerrilheiro do país, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O governo Pastrana anunciou que a estratégia de concessão provisória de território seguro para negociar com guerrilheiros é o primeiro passo para acabar com uma guerra civil que já dura 37 anos, mas este ano a violência atingiu níveis recordes no país.
Sinais positivos
Muitos críticos da estratégia do governo dizem que as FARC usaram a zona desmilitarizada para importar armas, exportar drogas e recrutar menores e há receio de que isso possa se repetir com a ELN.
Mas as condições oferecidas à ELN são diferentes daquelas oferecidas às FARC. O território virá com uma a imposição de uma verificação internacional da atividade na região e obrigatoriedade de respeito aos direitos humanos.
Essa nova área a ser concedida também será bem menor do que a entregue às FARC, e portanto permitirá um monitoramento mais fácil.
FARC
Apesar das concessões do governo, o processo de paz com as FARC está parado.
O grupo guerrilheiro quer ação contra os esquadrões da morte paramillitares que estão fazendo grandes incursões no território concedido provisoriamente à guerrilha.
Analistas dizem que Pastrana espera que o ELN faça logo concessões ao governo para dar impulso e credibilidade à sua iniciativa de paz.
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