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12 de dezembro, 2000 - Publicado às 11h31 GMT

Imperador Hiroito 'culpado' por crimes de guerra
Duas das vítimas exigindo compensação
Duas das vítimas exigindo compensação

Um tribunal internacional para crimes de guerra simulado em Tóquio considerou o imperador Hiroito - morto em 1989 - culpado pela política adotada pelo exército japonês, que obrigou mulheres estrangeiras a se prostituírem durante a Segunda Guerra Mundial.

O tribunal concluiu que Hiroito sabia, ou devia saber, que os militares estabeleceram bordéis onde pelo menos 200 mil mulheres foram forçadas a se prostituir.

Durante os cinco dias de audiência o tribunal simulado ouviu o depoimentos das mulheres usadas como escravas sexuais pelos militares japoneses nos anos 30 e 40.

O tribunal foi criado por grupos de mulheres de oito países diferentes e não tem qualquer valor oficial. Mas os organizadores esperam pressionar o governo japonês a pedir desculpas e pagar uma compensação às vítimas do exército.

Determinadas a lutar

O veredicto simbólico foi anunciado cinco dias depois das cortes japonesas rejeitarem a ação judicial apresentada por mulheres coreanas e filipinas, que serviram como escravas sexuais durante a guerra.

Mais de 450 pessoas compareceram ao tribunal, entre elas vítimas, advogados, juízes e estudantes de todo o mundo.

Na condenação a Hiroito, o tribunal simulado concluiu: "Superiores podem ser responsáveis pelos atos de seus subordinados se eles sabiam - ou deviam saber - que estes atos eram cometidos".

Os quatro juízes liderados pela ex-presidente do Tribunal da ONU para Crimes de Guerra na Iugoslávia, Gabrielle McDonald, também decidiram que as vítimas têm o direito de exigir individualmente compensação ao Japão.

Apesar de muitas das vítimas estarem agora na faixa dos 70 anos, e tantas outras já terem morrido, elas continuam determinadas a lutar por um pedido de desculpas oficial e a compensação por parte do governo japonês.

Mulheres seqüestradas

Estima-se que entre 200 mil e 300 mil mulheres asiáticas - na maioria coreanas e chinesas - foram obrigadas a servir de escravas sexuais aos militares japoneses.

Muitas delas foram seqüestradas e meninas de dez anos de idade foram enviadas aos bordéis montados pelos militares, onde elas eram obrigadas a ter relações sexuais com até 30 soldados num único dia.

O imperador Hiroito, os líderes militares e os ministros da época da guerra, acusados pelo tribunal simulado, não apresentaram defesa.

Os organizadores disseram ter convidado o governo japonês a participar, mas eles rejeitaram o convite.

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