Um tribunal internacional para crimes de guerra simulado em Tóquio considerou o imperador Hiroito - morto em 1989 - culpado pela política adotada pelo exército japonês, que obrigou mulheres estrangeiras a se prostituírem durante a Segunda Guerra Mundial.
O tribunal concluiu que Hiroito sabia, ou devia saber, que os militares estabeleceram bordéis onde pelo menos 200 mil mulheres foram forçadas a se prostituir.
Durante os cinco dias de audiência o tribunal simulado ouviu o depoimentos das mulheres usadas como escravas sexuais pelos militares japoneses nos anos 30 e 40.
O tribunal foi criado por grupos de mulheres de oito países diferentes e não tem qualquer valor oficial. Mas os organizadores esperam pressionar o governo japonês a pedir desculpas e pagar uma compensação às vítimas do exército.
Determinadas a lutar
O veredicto simbólico foi anunciado cinco dias depois das cortes japonesas rejeitarem a ação judicial apresentada por mulheres coreanas e filipinas, que serviram como escravas sexuais durante a guerra.
Mais de 450 pessoas compareceram ao tribunal, entre elas vítimas, advogados, juízes e estudantes de todo o mundo.
Na condenação a Hiroito, o tribunal simulado concluiu: "Superiores podem ser responsáveis pelos atos de seus subordinados se eles sabiam - ou deviam saber - que estes atos eram cometidos".
Os quatro juízes liderados pela ex-presidente do Tribunal da ONU para Crimes de Guerra na Iugoslávia, Gabrielle McDonald, também decidiram que as vítimas têm o direito de exigir individualmente compensação ao Japão.
Apesar de muitas das vítimas estarem agora na faixa dos 70 anos, e tantas outras já terem morrido, elas continuam determinadas a lutar por um pedido de desculpas oficial e a compensação por parte do governo japonês.
Mulheres seqüestradas
Estima-se que entre 200 mil e 300 mil mulheres asiáticas - na maioria coreanas e chinesas - foram obrigadas a servir de escravas sexuais aos militares japoneses.
Muitas delas foram seqüestradas e meninas de dez anos de idade foram enviadas aos bordéis montados pelos militares, onde elas eram obrigadas a ter relações sexuais com até 30 soldados num único dia.
O imperador Hiroito, os líderes militares e os ministros da época da guerra, acusados pelo tribunal simulado, não apresentaram defesa.
Os organizadores disseram ter convidado o governo japonês a participar, mas eles rejeitaram o convite.
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