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01 de dezembro , 2000 - Publicado às 15h43 GMT

Aids ameaça a Ásia
A Aids deixou muitas crianças órfãs
A Aids deixou muitas crianças órfãs

Praphan Phanuhak *

A epidemia do vírus HIV na Ásia começou mais tarde do que em outras partes do mundo. Por causa disso, o número de casos de Aids na região é mais baixo do que na África.

No entanto, com uma população enorme, com muitas pessoas adotando um comportamento de risco (sexo sem proteção e uso de drogas injetáveis) e com a sua economia enfraquecida, a Ásia tem o crescimento mais rápido da epidemia de HIV entre todos os continentes.

Das 34,3 milhões de pessoas vivendo com HIV/Aids no mundo inteiro, segundo estimativas da UNAIDS, 5,6 milhões de pessoas moravam no sul e sudeste da Ásia, colocando-a em segundo lugar no número total de casos depois da África sub-saariana.

Cambodia, Tailândia e Mianmar são os três países da Ásia que tiveram taxas de HIV entre adultos (de 15-49 anos) de mais de 2%.

O problema na Tailândia

A Tailândia, com a sua larga experiência em casos de HIV/Aids, tem o maior número de casos registrados na Ásia.

Um total de 156.309 casos de Aids foram registrados pelo Ministério da Saúde tailandês até o dia 31 de outubro de 2000.

Estima-se também que algo entre 750 mil e um milhão de tailandeses vivem com HIV e 300.000 já morreram desde o começo da epidemia.

Aids é a maior causa de morte na Tailândia, matando entre 40 mil e 50 mil pessoas por ano - um número que excede as mortes das doenças cardiovasculares, cânceres e acidentes.

Mesmo com esses números alarmantes, a Tailândia ainda é considerada um dos poucos países do mundo que teve sucesso no combate à Aids.

O elogio é baseado no sucesso da contenção da infecção de HIV em certos grupos de risco como prostitutas.

A taxa de infecção é ainda mais baixa em certos grupos da população como soldados com idade entre 21 e 22 anos.

O sucesso poderia ser atribuído ao engajamento e abertura do governo em enfrentar a questão de Aids.

O governo da Tailândia entendeu a seriadade do HIV/AIDS e o primeiro-ministro assumiu o papel de liderança como Presidente do Comitê Nacional de Aids.

O uso de preservativos tem sido muito divulgado como uma medida de combater a expansão do HIV.

A campanha mais conhecida era a que tinha como meta fazer com que 100% das prostitutas usassem preservativos.

No entanto, o uso freqüente de preservativos ainda está longe de ser uma realidade para sexo casual ou sexo com namoradas.

Cerca de 90% das novas infecções pelo vírus HIV na Tailândia ocorrem por meio de relações heterosexuais.

As mulheres correm mais riscos do que os homens de serem infectadas. Muitos homens ainda não sabem que são portadores do vírus e estão espalhando a infeção sem intenção para suas namoradas e esposas.

Crise econômica

A recente crise econômica na Ásia também afetou a prevenção do HIV e os programas de controle em muitos países, inclusive na Tailândia.

O orçamento para distribuir preservativos de graça foi reduzido. As pessoas precisam aceitar o fato de que eles também terão que se pagar pelo custo (subsidiado) do preservativo.

Já o orçamento para tratamento na maioria dos lugares foi mantido, mas a demanda aumentou com os novos casos de infecção.

Os tratamentos disponíveis para os infectados são considerados muito caros, especialmente se comparados com os custos de prevenção. O resultado é que o orçamento para os tratamentos nunca receberão um grande aumento.

Gastar com antiretrovirais é a opção menos preferida pelos políticos porque eles são muito caros.

Os antiretrovirais são considerados o medicamento com a pior relação custo-benefício. O custo é especialmente alto se comparado com o tratamento e prevenção de infeções oportunistas.

No entanto, só tratamento e prevenção de infeções oportunistas, sem o uso de antiretrovirais, não resultarão em benefício de longo prazo em termos de qualidade de vida e sobrevivência.

Os modelos que demonstram a relação custo-benefícios dos antiretrovirais nos países desenvolvidos e no Brasil têm que ser recalculados para cenários diferentes em vários países em desenvolvimento.

Espera-se que caso possa ser demonstrado o benefício do investimento em antiretrovirais, os governos vão voltar a investir neste tipo de medicamento.

Espera-se também que as grandes companhias de drogas cumpram a promessa de reduzir drasticamente o preço dos seus remédios para UNAIDS e que esta medida seja implementada em todos os países em desenvolvimento.

Com um preço mais baixo, esperamos que cada governo amplie o acesso ao tratamento para mais pacientes.

Dr. Praphan Phanuhak, Programa de AIDS, Cruz Vermelha na Tailândia.

 Pesquisa na BBC Brasil

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