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30 de novembro, 2000 - Publicado às 15h15 GMT

A busca do sucesso na luta contra a Aids no Brasil
Campanha internacional contra a AIDS
Campanha internacional contra a AIDS

Esper Georges Kallás *

Há cerca de cinco anos, atendi uma jovem paciente com Aids que se chamava Ana, já apresentando uma grave deficiência do sistema imunológico, com uma doença oportunista causada por uma bactéria espalhada por
todo seu corpo.

Muito debilitada, ela necessitava de um número grande de medicamentos e cuidados.

Chegou a precisar de algumas internações hospitalares somente nos últimos três meses.

Todos que cuidavam dela tinham especial afeição, por se tratar de pessoa meiga e de grande capacidade profissional. Não era difícil imaginar que não resistiria por muito tempo.

O caso de Ana era somente um dos reflexos de um quadro sombrio.

Desde 1980, quando foi detectado o primeiro caso da doença no país, vem ocorrendo aumento progressivo de casos de Aids.

O Brasil logo alcançou o segundo lugar em número de casos em todo o mundo, com mais de 190.000 notificados até o final de junho de 2000.

O número de mortes foi crescendo, acometendo principalmente adultos jovens.

Novos medicamentos

Estima-se que no Brasil se concentre a maioria dos 1,4 milhão de pessoas infectadas pelo HIV na América Latina.

Começaram, então, a surgir os novos medicamentos para controlar a multiplicação do HIV, aos quais pacientes brasileiros logo passaram a ter acesso através de programa coordenado pelo Ministério da Saúde.

O governo brasileiro, através da Coordenação Nacional de DST e Aids vem desenvolvendo programas de vigilância,
prevenção e, principalmente, disponibilizando exames e medicamentos àqueles que necessitam.

Este programa tem levado a consequências benéficas irrefutáveis, com queda no número de óbitos relacionados à doença comparáveis aos observados em países desenvolvidos. Milhares de vidas são poupadas a cada ano.

Agora, o desafio, tem sido organizar o sistema, facilitar o acesso aos exames e tratamento, insistir em programas de
aderência ao uso de medicamentos e redução dos crescentes custos.

Entretanto, é tolice imaginar que somente o tratamento dos infectados será capaz de controlar a epidemia em curso.

Os custos vem se avolumando e o número de pacientes dependentes destes medicamentos vem obrigando o emprego de outras medidas de controle, especialmente buscando a redução do número de novos casos.

Para isso, é necessário a intensificação de medidas preventivas que, aliás, vem sendo modestas.

Além dos grupos mais expostos ao HIV, como usuários de drogas intravenosas, profissionais do sexo, etc., os programas precisam aumentar esforços preventivos dirigidos aos jovens que estão iniciando a atividade
sexual, juntamente com o combate a outras doenças sexualmente transmissíveis, já que a transmissão heterossexual vem aumentando progressivamente no Brasil.

Tráfico de drogas

Um outro grande problema que vem envolvendo o país é o tráfico de drogas. É desnecessário dizer que o uso de drogas ilícitas traz consigo o alastramento do número de casos de infecção pelo HIV e Aids, devido a já demonstrada associação entre o crime e a maior transmissão do vírus.

No Brasil, observa-se uma concentração maior de casos relatados de Aids em locais que se caracterizam como rota do tráfico de drogas ou que apresentam maior frequência de uso de drogas intravenosas, como cidades que ligam regiões de plantio de droga na América do Sul com grandes centros populacionais e cidades portuárias.

Métodos preventivos nestes locais seguramente teriam maior impacto na redução da transmissão do vírus.

Na acalorada discussão de métodos de prevenção, o desenvolvimento de uma vacina contra a Aids vem atraindo grande interesse.

Com o avanço no conhecimento dos mecanismos de transmissão e desenvolvimento da doença, diversos produtos vêm sendo testados, vários deles já em fases iniciais de estudos em humanos.

Neste contexto, o Brasil se destaca como um bom candidato para participar deste desenvolvimento. Porém,
a participação brasileira ainda vem sendo bastante modesta.

A participação dos países em desenvolvimento nos esforços de combate à Aids é fundamental para conter o avanço para uma situação incontrolável, como a que vem se desenhando na África.

Países desenvolvidos precisam compartilhar medidas de controle e prevenção.

Hoje Ana está bem. Com controle da multiplicação excessiva do HIV, vem apresentando exames de sangue com carga viral indetectável e resposta imunológica comparável a uma pessoa normal.

O que parecia impossível acabou acontecendo, mas somente esforços que possibilitem o acesso de todos aos
avanços conseguidos pela ciência amenizarão o impacto que esta terrível epidemia vem causando em todo o mundo.

* Esper Georges Kallás é médico infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e pesquisador da Escola Paulista de Medicina (USP)

 Pesquisa na BBC Brasil

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