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22 de novembro, 2000 - Publicado às 14h30 GMT

Pessoas com doenças mentais têm maior tendência para o fumo
Quase 50% dos fumantes nos EUA tem problemas mentais
Quase 50% dos fumantes nos EUA tem problemas mentais

Um estudo recém-divulgado nos EUA indica que pessoas que têm um histórico de problemas mentais têm duas vezes maior probabilidade de fumar do que outras pessoas.

A pesquisa, entitulada "o hábito de fumar e a doença mental", concluiu que 41% das pessoas analisadas que mostraram sinais de distúrbios mentais no passado são fumantes, enquanto cerca de 22,5% das pessoas sem esse problema no passado fumam.

Além disso, o estudo concluiu que pessoas com disturbios na saúde mental consumem, sozinhas, cerca de 44% dos cigarros fumados nos EUA.

O doutor Wesley Boyd, um dos responsáveis pela pesquisa, disse que sua equipe ficou "abismada" com os resultados.

Reforço mútuo

Segundo ele, os dois fatores envolvidos na pesquisa, o hábito de fumar e os distúrbios mentais, parecem reforçar-se mutuamente.

"Se você é um fumante, você tem maior tendência a desenvolver comportamentos psicóticos ou neuróticos", explicou Wesley Boyd. "E pessoas com tendência a ter esse tipo de disfunção tem maior probabilidade de se tornarem fumantes".

O doutor acredita que a principal conseqüência deste estudo é desestimular as pessoas a fumar, mas também a pesquisa pode lançar novos questionamentos sobre a propaganda do cigarro.

A pesquisa questiona a propaganda de cigarros
A pesquisa questiona a propaganda de cigarros

O pesquisador pergunta: "será que as pessoas mentalmente perturbadas não são mais suscetíveis a esse tipo de propaganda?"

Nada de novo

Wesley Boyd lembra que um documento interno de uma das maiores empresas de cigarros dos EUA, a RJ Reynolds, sugere a relação entre o cigarro e as mudanças de humor e comportamento - e isso em 1981, quase 20 anos atrás.

Apesar disso, explica o doutor, não há provas de que as empresas do setor tabagista tenham tentado, intencionalmente, faturar em cima dessa suposta "fraqueza" de alguns consumidores.

O principal responsável pela pesquisa prefere atacar os próprios médicos psiquiatras que trabalham em instituições de recuperação, que muitas vezes permitem que os pacientes fumem como um prêmio por bom comportamento.

"Nessas casas de recuperação, é um privilégio fumar", explica o doutor Wesley Boyd.

A equipe do doutor analisou 4 411 pessoas com idades variando de 15 a 54 anos, que responderam a uma pesquisa nacional nos EUA nos anos de 91 e 92. Os dados dessa pesquisa foram utilizados para este estudo.

Para efeitos do estudo, foram considerados "distúrbios mentais" uma ampla variedade de problemas, como esquizofrenia, alcoolismo e vício em drogas.

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