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como foi #SalaSocial: O Brasil dará a volta por cima em 2018?

Atualizado em  14 de julho, 2014 - 13:25 (Brasília) 16:25 GMT
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  1. Tostão, um dos craques da seleção na campanha de 1970 e cronista esportivo, disse à BBC Brasil que vê um contraste entre o futebol jogado atualmente no Brasil e o das equipes europeias:

    "Os jogos estão bons, de muita qualidade técnica, e isso não é o futebol que se joga no Brasil. O legado será abrir os olhos dos técnicos brasileiros, que estão reféns de um jogo ultrapassado, melhorar a qualidade dos times, das categorias de base".

  2. O cronista esportivo José Geraldo Couto é cético de que o Brasil conseguirá reagir até a próxima Copa do Mundo. Eis o que ele falou à BBC Brasil:

    "Até a Copa de 2018, o tempo é curto para a reformulação global do futebol brasileiro que se mostra necessária. Talvez devamos começar justamente adequando nossas expectativas ao quadro atual do futebol mundial.

    Em vez de formar uma seleção para conquistar o título ou ser execrada se não conseguir, podemos pensar em formar uma equipe que não faça feio e que vá até onde conseguir. Já não somos os melhores do mundo, não temos a obrigação de estar entre os três ou quatro favoritos.

    Podemos fazer disso uma vantagem, um modo de desdramatizar a seleção brasileira, de livrá-la da tarefa de salvação nacional que lhe tem sido atribuída. A longo prazo, há que sanear a CBF, afastando dela as figuras nefastas da política corrupta que a têm dominado há décadas. De nada adianta trocar Teixeira por Marin e Marin por Del Nero. É preciso uma nova mentalidade, com gente de fato comprometida com o futebol brasileiro. Esse é o passo mais difícil, porque há um jogo de interesses de clubes e federações que mantém essa máfia no poder."

  3. Pelo Google+, muitos leitores também expressaram poucas esperanças de que o Brasil consiga se recuperar em quatro anos:

  4. O preparador físico João Paulo Medina, fundador da Universidade do Futebol, uma instituição que promove ensino e qualificação no futebol, disse o seguinte à BBC Brasil sobre o péssimo desempenho do Brasil na Copa:

    "Esse desastre não veio por acaso, é reflexo dessa estrutura ruim que temos no futebol brasileiro. A gente não pode querer botar a culpa no Felipão, nos jogadores. Perder ou ganhar vai acontecer com todos os países, mas a gente está tendo sinais de que estamos em declínio há muito tempo e a gente não está tendo mudanças. Quem sabe agora a gente acorda pra isso."

  5. Pelo Twitter, leitores também dão suas sugestões para o time brasileiro:

  6. A BBC Brasil perguntou: Como preparar uma equipe vencedora para a Copa de 2018 após o maior trauma na história do futebol brasileiro?


    Eis a resposta de Paulo Silva Júnior, que participou da cobertura do mundial:

    Organizar o futebol local com investimento sério e profissionais preparados em todos os níveis, dos centros ao interior do país, criando melhores condições para o desenvolvimento de boas equipes e jogadores no Brasil já é uma demanda de décadas, desde a abertura do mercado internacional e a intensificação do êxodo de jogadores.

    Tecnicamente, são quatro anos para se formar um time de futebol. E a seleção brasileira tem de lidar com a pressão de ter a obrigação de mostrar um bom time de futebol a cada ciclo de Copa, no mínimo. Uma equipe que assuma o protagonismo técnico do jogo e que insista por ter posse de bola, troca de passes, espaço para jogadores habilidosos, alternativas, repertório. Que a essência se dê pela busca por qualidade, não pela resignação ao medíocre.

    Agora, há uma identidade de futebol brasileiro a ser resgatada e respeitada. E isso é mais complexo do que um simples 'copiemos o modelo alemão'. Em 1966, o futebol brasileiro saiu da Copa do Mundo convencido que o futebol-força havia vencido o futebol-arte depois de perder para Portugal. Ganhou a Copa quatro anos depois. Agora, tem gente até convencida de que a herança de uma visão de futebol romântico - nas figuras de Garrincha e Nelson Rodrigues, por exemplo - resultou nesse futebol 'atrasado'. Menos. Há mérito, sim, no futebol do passado, e basta saber aperfeiçoá-lo. É a arte em transformação, pois.

    Aí está o desafio: resgatar o que o futebol brasileiro tem de genuíno - o improviso, a criatividade, a formação natural de talentos - com uma evolução organizacional óbvia para dar condições dessa identidade aparecer com preparo, retaguarda e confiança.

  7. Pelo Facebook, leitores da BBC Brasil continuam dando sugestões para a Seleção Brasileira na Copa 2018:

  8. O jornalista Mauricio Savarese, autor do livro "A to Zico, an Alphabet of Brazilian Football", também respondeu ao chamado do #salasocial. Leia seus comentários:

    #Salasocial: Será necessária uma reestruturação total na Seleção?

    Mauricio Savarese: Não. É um engano acreditar que um resultado, por mais catastrófico que seja, demonstra que só há problemas a serem resolvidos no futebol brasileiro. Alguns temas, sim, são urgentes, como a mudança de mentalidade nas categorias de base de clubes e da própria CBF, a mudança de calendário para que os jogadores daqui não sejam obrigados a serem mais atléticos do que habilidosos. Também haverá um problema de difícil resolução que é a falta de influência na FIFA, depois do ocaso de Ricardo Teixeira. Mas há melhorias nos últimos anos: a infraestrutura futebolística obviamente melhorou por causa da Copa e os clubes estão mais conscientes de que uma boa administração é importante. Embora haja uma crise de talentos brasileiros, ainda há o suficiente para ser competitivo em torneios internacionais.

  9. O presidente da CBF, José Maria Marin, cogita a possibilidade de contratar um estrangeiro para o posto de técnico da Seleção. Ontem à noite, o cartola confirmou à TV Globo que Luiz Felipe Scolari não é mais o técnico da seleção.

    As reuniões com dirigentes da CBF para definição da nova equipe técnica já começaram. 

     

  10. Muita gente diz que o Brasil deveria se inspirar no exemplo da seleção da Alemanha para reformular o seu futebol, mas o repórter esportivo Kai Schiller disse à BBC Brasil que não é tão fácil assim.

    "É muito difícil comparar as seleções do Brasil e da Alemanha. Grande parte do sucesso que tivemos se deu depois das Olimpíadas de 2000, quando a Alemanha foi muito mal e acabou eliminada na primeira fase da competição. Foi então que a Bundesliga (a federação de futebol alemã), começou a pensar em como melhorar o futebol do país.

    Todos os clubes foram então obrigados a montar uma estrutura de base, a profissionalizar as divisões jovens de suas equipes, a treiná-los de maneira profissional. Tiveram de investir muito dinheiro. Depois, quando todos os jogadores começaram a entrar para os times profissionais, os frutos foram colhidos, a partir de 2006, que marcou o início de uma nova era.

    Mas demorou uns cinco anos. E não se pode comparar com o futebol brasileiro. Nossos melhores jogadores estão perto, jogam na Europa e na própria Alemanha. No Brasil, é o contrário. Os melhores saem do país para vir jogar na Europa."

  11. Leia o que diz Julio Gomes, editor-chefe da BBC Brasil em São Paulo, sobre a crise na Seleção:

    "O futebol brasileiro está parado no tempo. Os poucos que estão há bastante tempo colocando o dedo na ferida são massacrados por uma parcela da opinião pública e a enorme parte dos torcedores. As acusações são super profundas: "antipatriotas", "torcem contra", 'vira-latas' e por aí vai.

    Quando saiu a tabela da Copa do Mundo, muitos levantamos a bola para a possibilidade de o Brasil simplesmente não jogar uma partida sequer em seu estádio mais importante, o Maracanã. A seleção só jogaria no maior templo do futebol mundial se fosse à final. Como os dirigentes do futebol brasileiro, que são os que determinaram isso, poderiam ter sido tão arrogantes?

    Como ainda pensar, em pleno ano 2014, que não haveria a possibilidade de o Brasil ficar fora da final da Copa? Talvez a explicação esteja no fato de muitos ainda acharem que, pelas cinco estrelas no peito, só por aqui se sabe jogar bola. O resto é tudo "pereba" que às vezes dá a sorte de ganhar da gente.

    (...)

    O futebol do Brasil está não um, mas vários degraus abaixo dos principais países da Europa. Precisa mudar tudo. Absolutamente tudo. Também porque, como vimos, começa a respingar na seleção brasileira. Ainda que a seleção e o futebol brasileiro sejam coisas distintas, eles são comandados pela mesma entidade, a CBF. E um poderia/deveria se beneficiar do outro. Não é o que acontece na prática."


  12. O bate-papo com Mauricio Savarese continua:

    #salasocial: Seria hora de trazer novos nomes, como treinadores estrangeiros?

    Savarese: Acho que não faz diferença. Essa é outra mentalidade que precisa mudar no futebol brasileiro, a de que os treinadores são tão importantes quanto os jogadores. Luiz Felipe Scolari cometeu erros na Copa, como não ouvir seus olheiros antes do jogo contra a Alemanha. Mas é um treinador importante, já deu lições de tática ao italiano campeão do mundo Marcello Lippi, entre outros. O problema é a falta de talento. Se os treinadores estrangeiros melhorarem nossas categorias de base, pode ser que ajudem. Mas não vejo grande diferença se o material para trabalhar foi ruim. Vejam os casos de Sven Goran Eriksson e Fabio Capello na Inglaterra. Grandes treinadores que não fizeram um time medíocre vencer.

    #salasocial: Há uma entressafra de grandes talentos. Se existe, como superá-la?

    Savarese: Mudando a mentalidade nas categorias de base. A influência de Scolari e de Parreira nas últimas décadas foi importante para o Brasil voltar a vencer, mas trouxe uma geração de jogadores menos talentosos que prevalesceram or sua altura e resistência em campo. Exemplos não faltam: Luiz Gustavo, Fernandinho, Ramires, Hulk... Esses são jogadores formados para exportação, cabem em qualquer time do mundo como parte de equipe. Mas não decidem jogo, não entregam o principal. Usar Neymar bem para incentivar treinadores de base a gerar talentos pode ser uma solução.

  13. No sábado, o torcedor brasileiro Murilo Augusto relatou à BBC que foi impedido de entrar no estádio Mané Garrincha, em Brasília, com o cartaz acima.

    Segundo o torcedor, os fiscais da entrada do estádio justificaram que "por tudo que está acontecendo na Copa" essa é a recomendação da Fifa.

  14. A BBC Brasil ouviu ainda especialistas internacionais sobre as possíveis causas do "apagão" brasileiro, como Stephen Fottrell, da BBC Sports:

    "Como muitos especialistas já afirmaram, o Brasil se baseou demais em história e sentimento em vez de encontrar uma fórmula para ser bem-sucedido na Copa do Mundo jogando em casa.

    Em retrospecto, a decisão da equipe de exibir a camisa do ausente Neymar durante a execução do hino no jogo contra a Alemanha, antes da humilhação em Belo Horizonte pode agora ser vista como um erro e pode ter permitido que a emoção tenha atrapalhado sua preparação para a primeira semifinal do Brasil desde 2002.

    Em termos táticos, eles nunca convenceram. E sua falta flexibilidade foi cruelmente exposta contra uma equipe alemã extremamente bem organizada e que se adapta a diferentes situações com facilidade.

    Muitos especialistas também dizem que a equipe de Luiz Felipe Scolari simplesmente não era forte o bastante para ir até o fim e que as limitações de suas escolhas foram escancaradas, assim que Neymar e Thiago Silva desfalcaram o time.

    Houve uma alarmante falta de qualquer espécie de liderança contra a Alemanha, o que, levando em conta seleções que já contaram nomes como Cafu, Dunga e Zico, é algo imperdoável."

  15. A jornalista esportiva Renata Mendonça também respondeu à pergunta: Como preparar uma equipe vencedora para 2018?

    "O vexame dos 7 a 1 nos mostra que a mudança de que precisamos no nosso futebol não é só pensando daqui a 4 anos, para a Copa de 2018. Tem que ser uma mudança estrutural para tratar o cerne do problema:

    _O Brasil perdeu o posto de "pais do futebol";

    _Não forma mais tantos talentos como antigamente,

    _Não sabe "lapidar" os poucos diamantes que surgem,

    _Trata mal (e muito mal) aquele que deveria ser sua principal fonte de matéria prima, o Campeonato Brasileiro.

    Então o primeiro passo pra se ter uma mudança efetiva que seja capaz de fazer o Brasil retomar seu posto no tipo do futebol mundial é parar de tratar a seleção brasileira isoladamente ao futebol nacional. Os dois deveriam ser a mesma coisa, a seleção deveria ser produto do que o futebol nacional forma.

    Mas o que vemos hoje é uma seleção repleta de jogadores que jogam na Europa, são pouquíssimos os que ainda se aventuram no campeonato brasileiro - muitos jogadores, inclusive, foram tão jovens para fora que praticamente foram formados lá (caso de David Luiz, Thiago Silva, dante, Daniel Alves...).

    E vemos a CBF investir 15 milhões de reais num centro de treinamento bem equipado para a seleção brasileira em Teresopolis, e não ter a mesma "generosidade" quando se trata de investir no futebol nacional, em pensar num calendário mais inteligente, com menos jogos para os clubes grandes e mais jogos para os pequenos sobreviverem.

    Enquanto o Brasil se mantiver com essa diferenciação a ponto de ter dois "futebois" - o da seleção brasileira e o praticado aqui - será difícil termos esperança de que esses 7 a 1 não poderão se repetir na próxima Copa.

    A mudança estrutural é necessária e pode até já surtir algum efeito em 2018, pela boa safra de jogadores que ainda temos e pela experiência adquirida por esses jovens que viveram o vexame de 2014.

    Mas os 7 a 1 têm que nos fazer ir além - não só pensando no próximo mundial, mas no futuro do futebol brasileiro.

O rei dos recordes (negativos)

Atualizado em 14 julho, 2014
  • A derrota de 7 a 1 para a Alemanha foi a maior goleada já sofrida pelo Brasil
  • Foi também a pior derrota da seleção em uma Copa, superando o 3 a 0 contra a França, de 1998
  • Após tomar 14 gols, o país se tornou o anfitrião mais vazado de uma Copa
  • Sua defesa foi a pior na história, superando Coreia do Norte e Arábia Saudita, que sofreram 12 gols
  • Foi também a pior derrota já sofrida por um país campeão do mundo

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