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13 de junho, 2003 - Publicado às 10h30 GMT
Rusgas



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Quarta-feira, dia 11 de junho, véspera de nosso Dia dos Namorados, o primeiro-ministro Tony Blair, do Reino Unido, jantou em Paris com o presidente Jacques Chirac, da França.

O noticiário não menciona se havia, ao fundo, um pianinho tocando melodias românticas. Prefiro acreditar que sim.

Dia seguinte, nas coletivas ambos enfatizavam o desejo comum de juntos trabalharem para um melhor entendimento e o devido engrandecimento da União Européia.

Blair e Chirac, ao se encontrarem trocaram os costumeiros beijinhos gálicos, ao se despedirem apertaram profusamente as mãos, trocaram as juras de sempre e sorriram para as câmeras habituais.

Da pauta de discussões dos líderes, segundo consta, não se falou do Iraque. Tampouco foi mencionado Napoleão em Waterloo. Ou lembradas as palavras categóricas do primeiro-ministro britânico quando à beira do bombardeio, invasão e ocupação do Iraque pelas forças do Eixo Washington-Londres.

Na ocasião, Blair lembrou aos franceses que eles teriam que assumir a responsabilidade pela guerra no Iraque, frisou que o presidente Jacques Chirac estava sabotando a última esperança de uma solução pacífica para o conflito que se avizinhava, e disse ainda: "Se as Nações Unidas tivessem dado um ultimato conjunto decisivo a Saddam, a guerra poderia ter sido evitada."

Blair não esclareceu como o apoio francês a uma segunda resolução poderia auxiliar a manter a paz, mas tudo começou com as Nações Unidas concordando que a melhor coisa a fazer era ameaçar o Iraque com guerra.

Independente dos Estados Unidos e do Reino Unido, os outros membros do Conselho de Segurança eram contra uma invasão, apesar de todas as pressões feitas pelos dois países do Eixo do Bem.

Aqui em Londres, a invasão do Iraque seria, era óbvio, endossada pela Câmara dos Comuns, apesar do país ser contra a guerra.

O fato de Chirac recusar-se a legitimar a invasão virou, então, "sabotagem". E sabotagem contra a ordem mundial que Blair lutava para preservar, conforme se noticiou na ocasião.

Isso tudo são águas passadas sob o Sena e o Tâmisa. Rusgas de namorados. Em inglês e francês, duas frases resumem o jantar: business is business e l'amour toujours l'amour.

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