| 06 de junho, 2003 - Publicado às 11h40 GMT |
| Fotografei você |

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Duas regras básicas: primeira, se você pretende fazer besteira, não fotografe e, segunda, se tiver que fazer besteira e fotografar, não mande revelar na lojinha da esquina.
Aqui no Reino Unido, uma ou duas celebridades já entraram pelo cano graças ao zelo moral das reveladoras. Uma apresentadora de televisão fotografou a filhinha no banho e mandou para revelar. No dia seguinte, lá estava a polícia batendo em sua porta investigando a possível pedofilia. O caso foi esclarecido, não sem antes a moça e o marido passarem pelo vexame do tabloidismo espalhafatoso.
Agora é com soldado inglês. Uma loja de revelações fotográficas de Tamworth, condado de Staffordshire, chamou a polícia depois que um de seus funcionários deu com o que até um débil mental reconheceria como prisioneiros de guerra iraquianos sendo – e aí temos que recorrer às aspas – “torturados” por um soldado.
Uma das fotos, inclusive, mostrava um iraquiano com as mãos amarradas nas costas, amordaçado e suspenso pelos pés num caminhão.
Outras fotos mostrariam soldados britânicos tendo relações sexuais – bizarríssimas relações sexuais, aliás – com prisioneiros iraquianos.
Estavam, é de se supor, a perigo os soldados do 1º Real Regimento de Fuzileiros, que faz parte da 7ª. Brigada Armada, os conhecidos Ratos do Deserto, aqueles de tantos filmes heróicos.
Nenhum dos soldados, é bom esclarecer, teve seu nome revelado, uma vez que a coisa virou inquérito conduzido por uma divisão especial da Real Polícia Militar.
Caso o inquérito conclua que os acusados foram mesmo culpados, estes serão prontamente expulsos do exército por terem violado as convenções de Genebra e, em seguida, presos.
A Anistia Internacional congratulou-se com a abertura do inquérito.
Para compensar, uma boa notícia: os dois soldados que foram mandados de volta para casa, do Golfo Pérsico, por questionarem a legalidade e a moralidade da guerra contra o Iraque, onde, segundo eles, civis inocentes perderiam suas vidas, não deverão ser disciplinados.
O Ministério da Defesa, ao que parece, quer manter num mínimo qualquer ato que possa contribuir para a controvérsia em torno da guerra. As coisas, mesmo depois da vitória e a chamada paz, não andam lá muito bem.
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