| 06 de junho, 2003 - Publicado às 08h21 GMT |
| Blix critica as informações dos EUA sobre o Iraque |
 Inspetor-chefe da ONU deixará o cargo neste mês
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O inspetor-chefe da ONU (Organização das Nações Unidas), Hans Blix, criticou a qualidade das informações que lhes foram passadas pelos serviços de inteligência americano e britânico sobre as armas de destruição em massa do Iraque.
Em entrevista à BBC, Blix revelou que as equipes de inspetores sob seu comando seguiram as pistas que lhes foram passadas, mas nada encontraram ao chegar aos locais.
"Apenas em três casos encontramos algo e, em nenhum desses casos, havia armas de destruição em massa, o que me incomodou um pouco", disse. "Eu pensei: ´Meu Deus, se estes são os melhores dados de inteligência que eles têm e não encontramos nada, o que será do resto?`".
Suas declarações devem contribuir para estimular a polêmica em Washington e em Londres sobre as evidências apresentadas para justificar a guerra para depor o presidente Saddam Hussein.
Maquiagem
Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha são acusados de haver maquiado informações dos serviços de inteligência sobre os arsenais para convencer suas populações e a comunidade internacional da necessidade de uma ofensiva armada.
O Senado americano e o Parlamento britânico iniciarão inquéritos para apurar essas acusações.
Falando ao Conselho de Segurança da ONU pela última vez antes de deixar o cargo, no fim do mês, Blix afirmou que várias perguntas ficaram sem resposta no Iraque, mas que isso não significa necessariamente que o país possua o arsenal proibido.
"Não é justificado chegar a uma conclusão precipidada de que algo existe só porque não foi encontrado", disse.
Inteligência
Um ex-oficial do Departamento de Estado americano, Greg Thielman, disse em entrevista à BBC que as evidências apresentadas pelos Estados Unidos sobre a existência de armas no Iraque antes da guerra foram distorcidas.
Até setembro do ano passado, Thielman era encarregado de analisar as informações vindas de todas as fontes disponíveis no governo americano.
"A forma como outras áreas da comunidade de inteligência, como a CIA (o serviço secreto americano), embalaram as informações e as apresentaram aos seus superiores não pareceram sempre ser a mais objetiva", disse Thielman.
"As evidências foram distorcidas e o público foi realmente enganado em assuntos que ajudaram a decidir sobre guerra e paz."
Outros altos oficiais da área de inteligência, citados pelo jornal Washington Post, disseram que o vice-presidente Dick Cheney fez várias visitas à CIA no último ano para questionar análises sobre o suposto arsenal do Iraque e suas ligações com a rede Al-Qaeda.
Segundo eles, isso poderia pressionar alguns analistas a adaptar suas conclusões aos objetivos do governo de George W. Bush.
Revisão
Na Grã-Bretanha, também surgiram mais dúvidas sobre a forma como o primeiro-ministro Tony Blair lidou com as informações recebidas dos serviços de inteligência sobre o Iraque.
"Uma fonte bem informada próxima ao serviço de inteligência britânico me disse que o governo retornou os rascunhos (do relatório sobre as evidências da existência de armas no Iraque) para o Comitê de Inteligência seis ou oito vezes com o pedido de que a linguagem fosse reforçada", disse o correspondente da BBC, Barnaby Mason.
A fonte disse que o próprio Blair estaria envolvido nesse processo.
Em resposta, o governo britânico disse que não pressionou o serviço de inteligência para mudar o documento. |
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