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Da Lua em Diante

Brilhantes sonhadores: os cientistas e técnicos que levaram o homem à Lua

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Técnicos no Centro Espacial Kennedy
Técnicos monitorando o lançamento da Apolo 11 no Centro espacial Kennedy, 16 de Julho, 1999.

Em entrevista coletiva aqui em Londres, o cosmonauta Gherman Titov, o segundo russo no espaço, falou da beleza de ver a Terra do espaço.

Ele descreveu o halo azul em torno do planeta, e falou da impressão de ver o globo suspenso no nada.

Declarações como essa causavam espanto numa época em que pouca gente tinha visto o planeta do espaço e nem se sabia quantas horas o corpo humano resistiria no espaço, sem gravidade.

Titov, a bordo do Vostok Dois, foi o primeiro homem a passar um dia inteiro no espaço.

Os pioneiros do programa espacial, estavam tateando os limites da resistência humana. Mesmo no histórico projeto Apolo, cada missão vinha cheia de riscos.

O presidente Richard Nixon tinha no bolso um discurso pronto caso os primeiros homens a andarem na superfície da Lua - Neil Armstrong e Buzz Adrin - não conseguissem voltar.

O maior risco era de que o módulo lunar não conseguisse decolar da Lua depois das 22 horas que os astronautas teriam passado no Mar da Tranquilidade.

O segundo homem na Lua, Buzz Aldrin, disse que, graças ao treinamento e à concentração, não teve medo.

Wernher Von Braun
O engenheiro alemão Wernher Von Braun, 16 de Julho, 1969

Persistência e uma grande imaginação é que levaram o homem à Lua.

Essas qualidades romperam fronteiras e atravessaram as linhas inimigas.

Um dos grandes responsáveis pelo sucesso da missão Apolo 11 foi o engenheiro alemão Werner Von Braun.

Von Braun era filho de um ex-ministro da República de Weimar - o governo na Alemanha que antecedeu a ascenção dos nazistas.

Ele queria construir foguetes e acabou tendo apoio do Estado para desenvolver o míssil V2, que aterrorizou Londres em 1944 - no auge da Segunda Guerra.

Hitler ficou impressionado com a potência e a versatilidade dessa nova bomba. A V2 saía do território alemão para causar destruição em Londres em poucos minutos.

Terminada a guerra, Von Braun e a equipe dele se entregaram aos americanos.

O foguete Saturno V, que levou as cápsulas Apolo à Lua, foi idealizado por ele.


Tripulação comandada por Comandante Eileen Collins.
A tripulação da primeira misão comandada por uma mulher - Comandante Eileen Collins

Mas, do trabalho pioneiro de Von Braun até o pouso da Apolo 11, os projetos de construção de naves e sistemas passaram por várias transformações.

Por exemplo, só o incêndio da Apolo 1, antes de sair do chão, levou a mais de uma centena de modificações técnicas.

A medida da engenhosidade que levou - e leva - o homem ao espaço ficou evidente no acidente com a Apolo 13, quando a explosão de um tanque de combustivel pôs em risco a vida de três astronautas.

Com muito improviso e coragem, eles conseguiram voltar à Terra.

Mas uma estória mais recente acabou sem final feliz, e mostrou que o homem tem que continuar alerta para os desafios do espaço.

No dia 26 de janeiro de 1986, o ônibus espacial Challenger explodiu segundos depois do lançamento.

Um dos diretores de testes da NASA, John Copland, lembrou que depois da explosão do Challenger, o comitê que apurou as causas do acidente ordenou que a NASA voltasse a supervisionar mais de perto as viagens espaciais.

A agência vinha recuando e passando cada vez maiores responsabilidades para as empresas contratadas para fazer a instrumentação e as diversas partes das naves.

Veio uma nova diretriz, de que a NASA tinha que voltar a fazer as coisas com o mesmo cuidado que fazia no tempo do projeto Apolo.

O problema de design dos ônibus espaciais que causou a explosão do Challenger foi corrigido. John Copland disse que foram contratados engenheiros mais jovens, para serem treinados com os mais antigos, os experientes profissionais que levaram o homem na Lua.

Lançamento do Columbia
À esquerda, o lançamento do ônibus espacial Columbia, 17 de abril, 1998. (Foto cortesia da NASA.)

Os ônibus espaciais representam o barateamento das viagens e ir ao espaço pode virar quase rotina.

No Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a cada três ou quatro meses é lançado um ônibus espacial.

Mais de quinhentos astronautas já voaram em missões do ônibus espacial - missões para consertar satélites, para lançar telescópios orbitais, para contruir a estação espacial internacional.

As viagens espaciais estão hoje anos-luz do que foram quando o homem pisou na Lua.

O computador de bordo do módulo lunar da Apolo 11, por exemplo, tinha uma memória de 32KB - hoje em dia, um único diskette tem cerca de 45 vezes mais memória.

A criatividade humana e a curiosidade não têm limite.

O homem vai buscar sempre novas fronteiras espaço afora, cérebro adentro.

Ed Mitchell, astronauta da Apolo 14, diz que fez algumas experiências de telepatia no tempo livre, antes de dormir.

Eram 15 minutos por dia. Esses exercícios já eram feitos em laboratório. Ele queria ver se a distância de 300 mil quilômetros da Terra faria alguma diferença.

Ele usou cartas com símbolos e números.

Ele se concentrava e tentava adivinhar que carta era. Ao voltar, discutiu a experiência com matemáticos para checar a probabilidade de acerto.

Ed Mitchell disse que até que conseguiu bons resultados. Ele acertou algumas cartas cuja chance de acertar era uma em cada 3 mil.

Cada cientista, cada sonhador, desenvolve dentro da cabeça os projetos do futuro.

O avanço é coletivo. Para uma mente criativa e um espírito determinado, nenhum obstáculo dura muito tempo.

 

Índice

Página inicial

Do Sputnik à Apolo: a corrida espacial

Brilhantes sonhadores: os cientistas e técnicos que levaram o homem à Lua

Da Lua para a Terra: os avanços da ciência no nosso dia-a-dia

Rumo à ‘Liberdade’: da rivalidade à cooperação internacional

À procura de E.T : a exploração do espaço no século 21

Links na Internet

Nasa
(Em inglês)

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