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24 de setembro, 2001 Publicado às 17h30 GMT


Forças: armadas, de mercado

Não é preciso ser talebã ou afegão, estar nas montanhas ou nos vales: a "guerra" -- no momento em que escrevo as aspas ainda são válidas -- a "guerra" nos atingiu a todos.

Sem canções patrióticas ou bandeiras, folheamos os jornais como se fossem manuais de sobrevivência -- o que, num certo sentido, são mesmo.

A vida continua, conforme dizem os vivos.

Nas primeiras páginas, repórteres espalhados pelas diversas frentes do mundo islâmico enviam seus relatos.

Nas páginas internas, especialistas (e haverá mesmo isso?) analisam e arriscam interpretações. Há mapas e gráficos.

Os editoriais declaram sua posição perante o público pagante e o anunciante também pagante.

Em sua maioria, condenam os atentados terroristas, endossam a represália, aconselham prudência.

Da mesma maneira que uma menina faria, brincando com sua boneca.

Sérias e compenetradas são as páginas de negócios.

Aquelas que ficam entre os obituários e os esportes.

Numa delas, a manchete pergunta: "As ações valerão menos em 10 anos?".

O texto leva algumas colunas para mostrar que, segundo uma análise histórica, temos pela frente um longo e volátil período de contenção.

Um gráfico ilustra como as forças de mercado, aplicadas às bolsas, se contrairam e expandiram de 1858 até 1987.

Em outra matéria com manchete ainda mais escandalosa, uma analista aconselha a deixar fundos de garantia de lado e buscar outros investimentos.

Outros investimentos em outras páginas. Aconselham a investir em transportes, com exceção, é claro, da aviação.

É para deixar de lado as companhias de seguro, também, é claro.

Bens de consumo na categoria luxo deverão ser afetados.

Idem, turismo. No entanto, boas notícias para quem vende cigarro: em tempo de crise, as pessoas tendem a fumar mais, portanto…

Ah, sim. Esta vida é estranha. Diz a equipe econômica do tal jornal (que se quedará anônimo como um informante das agências de segurança) que, paradoxalmente, a "esperança" de uma recuperação na indústria de armamentos mostrou-se prematura, com exceção das companhias que fabricam satélites e equipamento bélico eletrônico.

Com apenas o dinheiro da cerveja no bolso, continuaremos de olho firme nos céus.

Esperando o pior.

Copyright 2000. The British Broadcasting Corporation. Todos os direitos reservados.

 

 Pesquisa na BBC Brasil


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