| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
America Under Attack O mundo já se acostumou a ligar a televisão e dar lá, na CNN, com a manchete de filme de desastre: America Under Attack. Correm, debaixo das mais recentes imagens, legendas com informações e dados. Precisamente o que não faltam. O esforço da mente e da imaginação em digerir os fatos diversos. Esforço mais fácil que conviver com as imagens constantemente repetidas, nos mais diversos ângulos, dos -- chamemo-los assim -- eventos de terça-feira, dia 11. Uma colcha de retalhos feita de pedaços de horror, de coragem, de desespero, de tudo que é humano e, pior, desumano. Jornal não ofecere consôlo ou explicação.Complica ainda mais. É muito o que se tem a digerir. A narrativa insiste em não criar sua coerência. Bush fazendo força para não chorar. Ou fazendo força para chorar? Indícios de terrorismo que vão da Flórida à Alemanha, passando pela Itália e por Wembley, aqui em Londres. Broadway sem luzes na ribalta. Os principais telejornais americanos indo para o ar sem comerciais. Filme com John Travolta retirado do cartaz em Londres. O medo de todo sujeito de aspecto árabe, de todos os Mohammeds do mundo. A corrida para a compra de bandeiras e armas em todo o território americano. Número e cifras, cifras e números. Tanto pagarão as seguradoras, a verba que o Congresso americano liberou para o governo. Diminui o número de mortos no Pentágono. Diminuem as esperanças de se achar gente com vida nos escombros do World Trade Center. As chamadas afobadas e dramáticas feitas em celulares, pouco antes de um dos muitos desastres de terça-feira. O recado gravado na secretária eletrônica, e o rosto do marido ouvindo, as últimas palavras da mulher, diante de uma equipe de televisão. A médium brasileira Adelaide Scritori, que diz incorporar o Cacique Cobra Coral, afirma ter avisado o presidente Bush da catástrofe eminente. O escritor Norman Mailer mais uma vez indo ao encontro da besteira dizendo que as ruínas dos edifícios sinistrados são mais bonitas do que o original, sugerindo ainda que lá fiquem como memorial. Pegará ou não o batismo de "Primeira Guerra Mundial do Século XXI"? O cartum no jornal inglês mostrando um quinto cavaleiro do Apocalipse: um homem armado de uma câmera de TV. A diversidade das cartas para os jornais: os que querem bombardear todo mundo, os que sugerem que se examine as causas do terrorismo. A expectativa de que a CNN logo mude o título de sua manchete para algo que seja menos grave. A tentativa de se imaginar algo menos grave neste mundo pelos próximos…meses? Anos? Décadas? Copyright 2000. The British Broadcasting Corporation. Todos os direitos reservados. |
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Para cima |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||