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Os Novos Donos do Mundo Foi agradável ligar a televisão e não ter esporte em tudo quanto é canal. Ou um resumo da turbulenta e fraudulenta vida de lorde Jeffrey Archer. Foi um documentário, um pouco depois do chamado horário nobre. No canal aberto comercial, a ITV. Durante 60 minutos, um jornalista de digníssima reputação, o australiano John Pilger, apresentou o que a emissora houve por bem chamar de "um relatório especial", ou seja, uma maneira de se distanciar de possíveis efeitos legais ou simplesmente contraproducentes a uma empresa comercial. O nome do documentário era "Os Novos Senhores do Mundo" e, em suma, destinava-se a mostrar, no melhor meio de comunicação para essas coisas, a televisão, os males dessa tão falada globalização. O timing -- para usar uma palavra bem globalizada -- não poderia ser melhor: vésperas da reunião do Grupo dos Oito, em Gênova. John Pilger ficou ali pelas antípodas mesmo para tocar em frente seu telejornalismo investigativo: usou da Indonésia, que serviu, digamos assim, de clone para México, Quênia, Índia e por este mundo de Deus (ou do demônio) afora. Pilger foi às fábricas onde as grandes grifes são produzidas, entrevistou os diretores daquelas que se dignaram a conceder parte de seu tempo, perguntou polidamente a senhores do Fundo Monetário e do Banco Mundial o porquê de uma porção de coisas que aqueles que estão protestando em Gênova conhecem muito bem. Alguns dados frios e terríveis ficaram do programa. Limito-me a enumerar alguns. Por exemplo: a General Motors, hoje em dia, é em si uma potência mais importante, digamos assim, do que a Dinamarca. A Tanzânia tem um produto nacional bruto de 2 bilhões e 200 milhões de dólares, divididos entre 25 milhões de pessoas. O banco de investimentos Goldman Sachs arrecada um lucro anual de -- atenção para a coincidência da cifra -- também 2 bilhões e 200 milhões de dólares, rigorosamente divididos entre apenas 161 sócios. Os operários que fazem aquelas roupas lindas da Gap e aqueles tênis formidáveis para a Nike ganham, com alguma sorte, perto de um dólar por dia. A jornada de trabalho chega às vezes a atingir 36 horas seguidas. A cada dia, graças a programas assim, um número maior de pessoas tem conhecimento desse estado de coisas. Não é de admirar que a cada reunião desses novos senhores do mundo haja um número cada vez maior -- e mais violento -- de protestos. Copyright 2000. The British Broadcasting Corporation. Todos os direitos reservados. |
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