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Quem são, afinal, "Os Ingleses"? Quem são "Os Ingleses"? Em primeiro lugar, como toda generalização, a premissa está errada. "Os Ingleses" é uma coisa. "Os Britânicos", outra. As pessoas nos bares pobres de países pobres gostam de ficar falando: "porque o francês isso", "porque o alemão aquilo", "porque o brasileiro aquilo outro". As características nacionais são tendenciosas e ilusórias. Não fossem e todas aquelas piadas -- a do americano, a do judeu, a do turco -- seriam verdade. Tal como existem, são mais a respeito do país e do cidadão que as conta do que sobre o personagem focalizado. E por falar em focalizado: aí está, divulgado no dia 12 de julho, um estudo preparado pelo serviço nacional de estatísticas do Reino Unido que joga algumas luzes sobre a questão. Logo de cara, uma confusão desfeita: Reino Unido inclui Irlanda do Norte, Escócia, País de Gales e Inglaterra. Portanto, cuidado quando falar no "Inglês". Mas ao estudo: vamos aos dados puros e simples. Em primeiro lugar, é sobre os britânicos. Os ingleses vão no bolo. Excluídas do bolo também, as mulheres, uma vez que é só sobre os homens britânicos. Britânicos, para nós, meio porcos chovinistas que somos, incluiria as mulheres. Para eles, não. Mas aos dados. São 23 milhões e 100 mil homens no Reino Unido. Contando apenas aqueles acima dos 16 anos de idade. São pais lá por volta dos 31 anos. Dormem 23 minutos menos que as britânicas. Têm mais propensão ao suicídio. E ao enfarte. E a beber demais. Passam 45 minutos por dia às voltas com os afazeres domésticos. 33 por cento menos tempo que as mulheres. Andar é seu esporte favorito, seguido de perto por sinuca ou bilhar e, logo depois, pela bicicleta. De suas 5 revistas prediletas, 3 são sobre televisão. Política? Estão menos interessados do que há 10 anos. Crime? Ganham longe das mulheres. Cerca de 8 por cento, com 18 anos, já ou entrou em cana ou sofreu admoestação policial. Os dados continuam, enchendo algumas centenas de páginas, acompanhados de gráficos e ilustrações. Continuam também os mistérios. Sejamos francos, ninguém conhece ninguém. No máximo, na melhor da hipóteses, o que se pode ter é isso aí: um punhado de estatísticas. Copyright 2000. The British Broadcasting Corporation. Todos os direitos reservados. |
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