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| 30 de abril, 2003 - Publicado às 21h08 GMT |
| Mutirão de iraquianos tenta recuperar universidade |
 Ead Janabi (à dir.) reclama das tropas americanas
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Paulo Cabral, enviado especial a Bagdá
A Universidade de Tecnologia de Bagdá era um dos principais centros de excelência no estudo de engenharia no Iraque.
Tanto que chamou a atenção dos inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) que visitaram os laboratórios da faculdade – quatro vezes, segundo professores.
No entanto, com a ocupação da capital iraquiana e o caos que se seguiu, os laboratórios também chamaram a atenção dos saqueadores, que roubaram muita coisa e quebraram o que não puderam carregar.
"Esperamos conseguir reiniciar o segundo semestre de aulas até meados de maio porque os alunos já perderam mais de seis semanas desde que a faculdade foi fechada no início da guerra", contou o vice-reitor Ahmid Beiruti.
Mutirão
Os alunos e professores estão trabalhando em mutirão para tentar colocar em condições de trabalho o que sobrou da universidade.
 Laboratórios foram alvo de saques em Bagdá | "Os 'hooligans' só nos deixaram muito entulho, equipamento quebrado e mesas e cadeiras", diz Beiruti, que por oito anos morou na Grã-Bretanha, utilizando o nome atribuído aos violentos torcedores de futebol ingleses para se referir aos saqueadores.
Por enquanto, o mutirão ainda está se ocupando de limpar o prédio e recolher todo o entulho que se acumulou na universidade.
"Mas não sabemos como vamos fazer para repor os equipamentos, que por sinal já estavam defasados devido aos dez anos de embargo contra o Iraque", lamenta o vice-reitor.
Defesa e acusação
O professor assistente do departamento de engenharia mecânica Ead Janabi diz que ainda houve alguma resistência contra os saqueadores que começaram a atacar o prédio depois que o Exército americano entrou no campus, em 10 de abril.
"Todos os alunos e professores que podiam pegar em armas vieram para dentro da universidade e tentaram espantar os saqueadores dando tiros para o ar", relatou o professor.
Janabi afirma que tentou conseguir ajuda das tropas dos Estados Unidos, mas não conseguiu.
"Fui quatro vezes ao Hotel Palestina (no centro de Bagdá, onde estavam os comandantes militares americanos) pedir ajuda para proteger a faculdade, mas não consegui nada", afirma o professor.
Janabi vai além e acusa os americanos de facilitar o trabalho dos saqueadores.
"Os soldados abriram o portão principal e quebraram os cadeados dos laboratórios, dando todo o acesso que os ladrões precisavam", afirma.
O comando das tropas americanas no Iraque tem afirmado que foi impossível conter a onda de saques em um momento em que as tropas no país ainda estavam envolvidas em combates.
Segurança
Mesmo que o prédio da universidade seja colocado de novo em condições de funcionar, ainda há uma outra dificuldade para que as aulas possam ser retomadas: a segurança.
A aluna do curso de engenharia mecânica Nora Thatr diz que muitos de seus colegas fugiram da capital com medo da desordem que se seguiu à guerra.
"Eu não posso andar livremente pelas ruas de Bagdá e, assim, fica muito difícil freqüentar as aulas na faculdade", reclama.
Thatr diz que não se importa em saber quem vai trazer de novo a ordem à sua cidade: se americanos ou iraquianos.
"O que nós precisamos é poder voltar a estudar para ajudarmos na reconstrução do país", diz.
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