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| 23 de abril, 2003 - Publicado às 08h29 GMT |
| França pagará por oposição aos EUA, diz Powell |
 Soldado dos EUA na sede da ONU em Bagdá (Foto: AP)
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O secretário de Estado americano, Colin Powell, afirmou que a França vai sofrer as conseqüências por ter se oposto aos Estados Unidos sobre a guerra no Iraque.
Em entrevista a um programa de televisão, Powell disse que os Estados Unidos têm dee rever o seu relacionamento com a França que prometeu vetar qualquer resolução do Conselho de Segurança autorizando um ofensiva contra os iraquianos.
"Acabou-se, e agora temos que examinar o relacionamento. Temos que rever todos os aspectos do nosso relacionamento com a França depois disso", teria dito Powell no programa Charlie Rose Show, segundo transcrição divulgada pelo Departamento de Estado.
Os comentários de Powell foram divulgados pouco depois de o embaixador da França na ONU, Jean-Marc de la Sabliere, ter inesperadamente pedido a imediata suspensão das sanções econômicas impostas pelas Nações Unidas ao Iraque em 1990 depois que as forças de Saddam Hussein invadiram o Kuwait.
Conseqüências
Powell não deu detalhes sobre as medidas que seriam eventualmente tomadas.
Há informações não confirmadas de que as possíveis conseqüências da oposição da França para o país foram discutidas em uma reunião da cúpula da administração Bush na segunda-feira.
"Eles estão tentando encontrar formas de criar mecanismos alternativos para lidar com os franceses, com ou sem eles, não só na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) como em um contexto mais amplo", disse um integrante do governo.
A reação dos diplomatas à iniciativa da França de pedir a suspensão das sanções contra o Iraque foi otimista. Segundo o analista da BBC Greg Barrow, as declarações marcam uma mudança importante na posição francesa.
Desde a queda do regime de Saddam, o governo dos Estados Unidos tem pressionado os outros países do Conselho de Segurança da ONU a aprovar o fim das sanções.
A França, que liderou o bloco que se opôs aos planos de guerra de britânicos e americanos, se mostrava reticente sobre o assunto.
'Novas realidades'
O embaixador francês, no entanto, afirmou que o Conselho "precisa levar em conta as novas realidades no terreno".
Sem as restrições, o Iraque poderia expandir a sua exportação de petróleo, obtendo assim mais recursos para ajudar a pagar as contas da reconstrução no pós-guerra.
Diplomatas na ONU, porém, observam que algumas questões precisariam ser esclarecidas antes da medida ser adotada.
Não está claro ainda, por exemplo, quem controlará a exploração dos recursos naturais iraquianos.
Tampouco ficou comprovado ainda se o país possui ou não armas de destruição em massa, tema que foi chave nas discussões na ONU antes da guerra.
Na semana passada, o presidente americano, George W. Bush, pediu a rápida suspensão das sanções para que a receita petrolífera pudesse ser investida na reconstrução.
O embaixador francês De la Sabliere argumentou que, de acordo com resoluções do Conselho de Segurança da ONU, as sanções só poderiam ser definitivamente encerradas após o desarmamento do Iraque.
"Por enquanto, poderíamos suspender as sanções e ajustar o programa 'Petróleo por Comida' com planos para a sua conclusão gradual", declarou.
Por meio do Petróleo por Comida, o governo do Iraque tinha a permissão de vender quantidade limitada de petróleo para poder comprar remédios e alimentos para a população.
A Rússia também já deu indícios de que aceitaria uma suspensão das sanções, medidas que ao longo de mais de 12 anos aprofundaram os problemas enfrentados pela população do Iraque.
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