 |
| 17 de abril, 2003 - Publicado às 13h51 GMT |
| Chirac diz que só ONU pode acabar com embargo ao Iraque |
 Conselho de Segurança se reúne na semana que vem
|
O presidente da França, Jacques Chirac, disse nesta quinta-feira que cabe à ONU decidir quando e como serão suspensas as sansões comerciais contra o Iraque.
Chirac falou sobre o assunto depois que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu o fim do programa "Petróleo por Comida", que limita a quantidade de petróleo que o Iraque pode exportar e controla as importações do país.
Diplomatas prevêem que a iniciativa americana vai causar duros debates no Conselho de Segurança da ONU.
O relaxamento das sanções impostas há 12 anos descongelaria a renda gerada pelo petróleo, o que poderia ajudar na reconstrução do país, como querem os Estados Unidos.
Controle da situação
O correpondente da BBC Mark Doyle diz que alguns membros do conselho temem diminuir a influência deles enquanto os Estados Unidos mantém o controle da situação.
Na quarta-feira, a União Européia fez uma declaração pedindo que a ONU desempenhe um papel fundamental na reconstrução do Iraque.
Os líderes europeus também afirmaram que estão prontos para ajudar na reconstrução do país se forem chamados pela ONU.
As últimas resoluções do Conselho de Segurança determinam que a suspenção das sanções só ocorreria depois que o Iraque provasse não ter armas de destruição em massa.
Os inspetores da ONU - que se retiraram do país antes da invasão americana - dizem que o trabalho deles não está completo.
Mais inspeções
O correspondente da BBC na ONU, Greg Barrow, diz que alguns membros do conselho insistem que não haverá nova resolução suspendendo o embargo contra o Iraque enquanto os inspetores de armas não retornarem ao trabalho.
Até agora, o governo americano não convidou os monitores a voltarem ao Iraque.
O Conselho de Segurança vai tratar do relaxamento das sanções na semana que vem, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Negroponte, informou que ainda não existe o rascunho de uma nova resolução e que isso dependerá de discussões em agências na capital americana.
Diferenças
Uma questão central que provavelmente vai surgir quando o debate sobre as sansões começar é o papel reservado à ONU no Iraque pós-Saddam.
França, Rússia e Alemanha, que têm assento no Conselho de Segurança e se opuseram à guerra, dizem que cabe à ONU centralizar a transição iraquiana.
A Grã-Bretanha também diz que a ONU tem um papel central no futuro do Iraque. Mas analistas afirmam que podem surgir desentendimentos sobre a definição desse papel.
Governos britânico e americano sustentam que, por terem deposto Saddam Hussein, têm direito a liderar a reorganização do futuro do Iraque.
Clique aqui para ler o especial Iraque Pós-Guerra |
 |
|
|
|