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| 11 de abril, 2003 - Publicado às 12h23 GMT |
| Bagdá tem terceiro dia de saques e desordem |
 Homem leva equipamentos retirados de propriedade
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Os saques a prédios do governo, propriedades privadas, lojas e até hospitais se intensificaram em Bagdá nesta sexta-feira, apesar das forças americanas presentes na cidade. De acordo com a Cruz Vermelha, os hospitais não estão mais funcionando na capital por falta de equipamentos e de pessoal.
Comerciantes no centro da cidade teriam atirado contra alguns saqueadores.
Homens armados também tomaram as ruas da cidade, no terceiro dia de saques depois que os americanos derrubaram o governo de Saddam Hussein.
No centro de Bagdá, um repórter viu um jovem atirar no motorista de uma picape que passava, tirar o homem do carro e sair dirigindo o veículo. Não se sabe se o motorista morreu ou apenas ficou ferido.
Hospital saqueado
Um dos correspondente da BBC na capital, Andrew Gilligan, viu aparelhos de monitoramento cardíaco e incubadoras sendo retirados de um hospital, junto com todos os equipamentos que pudessem ser removidos.
Ele também viu uma pessoa acusada de promover saques ser espancada até a morte.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que duvidava de que ainda houvesse hospitais funcionando em Bagdá por causa da "anarquia" nas ruas da cidade.
De acordo com a agência Reuters, a porta-voz Nada Doumani disse que havia acabado de conversar com o representante da organização na capital iraquiana, Roland Huguenin-Benjamin, e que ele havia lhe dito que "provavelmente não há mais hospitais funcionando por causa dos saques, falta de pessoal médico e medo das pessoas".
"É anarquia", disse Huguenin-Benjamin, contou a porta-voz.
Uma equipe da Cruz Vermelha não conseguiu visitar todos os hospitais da cidade para verificar as condições por motivos de segurança. A organização lembrou às forças americanas em Bagdá que, pela Convenção de Genebra, eles são obrigados a manter a ordem nas áreas que controlam militarmente.
Segundo Gilligan, a população está passando seus primeiros dias de liberdade numa situação de medo maior do que antes.
Os americanos estão montando um centro de operações no hotel Palestine – onde os jornalistas ocidentais estão hospedados – no centro da capital iraquiana, e estão pedindo ajuda a profissionais com os serviços públicos.
Kirkuk
A situação também é séria em Kirkuk, cidade no norte do país capturada por forças curdas e americanas na quinta-feira.
O governador curdo, Rizgar Ali, disse à agência de notícias AFP que a situação estava saindo do controle dos chefes curdos locais e que várias pessoas haviam sido mortas.
Um correspondente da BBC na cidade disse que os combatentes curdos estão tendo uma atuação mais discreta nesta sexta-feira depois do caos do dia anterior, quando milhares deles tomaram o centro da cidade, mostrando suas armas e atirando para cima.
Os curdos prometeram deixar a cidade dentro de 24 horas. Eles foram instalados em antigas barracas do governo iraquiano nos arredores de Kirkuk e devem deixar o local assim que os reforços das forças americanas chegarem.
Basra
Em Basra, há cerca de mil fuzileiros navais britânicos nas ruas, mas eles não são suficientes para policiar cada canto da cidade, de acordo com Clive Myrie, correspondente da BBC.
"As forças simplesmente não querem assumir um papel de polícia. Eles querem uma solução local para o problema", afirmou Myrie.
O capitão Al Lockwood, porta-voz das forças britânicas, disse que os soldados estão fazendo o que podem, mas que eles também estão preocupados com a própria segurança.
"Os líderes locais estão obviamente ajudando com isso. A maioria dos cidadãos iraquianos quer o retorno para alguma espécie de ordem e proteção da vida e das propriedades da população civil e nós vamos facilitar isso o máximo que pudermos", afirmou.
Em Londres, a ministra de Desenvolvimento Internacional, Claire Short, disse que a prevenção desse tipo de saque deveria ser a prioridade máxima do governo.
Ela concordou com as afirmações da ONU de que o país tem obrigação legal, como um poder ocupante, de restaurar a ordem e manter a administração em andamento.
Mosul
Em Mosul, no norte, grupos de iraquianos estão saqueando prédios, depois que a cidade passou a ser controlada pelos curdos e pelas tropas americanas.
De acordo com o correspondente da Reuters, grupos de adultos e crianças saquearam uma escola na estrada que leva à terceira maior cidade do país.
Eles também levaram móveis da sede de uma companhia de eletricidade.
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