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| 11 de abril, 2003 - Publicado às 14h52 GMT |
| Líderes europeus querem papel maior da ONU no Iraque |
 Chirac, Schröder e Putin se reuniram na Rússia
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Os líderes de França, Alemanha e Rússia tiveram nesta sexta-feira uma reunião na cidade russa de São Petersburgo, em que voltaram a se manifestar a favor de uma maior participação da ONU no Iraque pós-guerra.
A possibilidade de que as Nações Unidas coordenem o processo de reconstrução do Iraque, conduzindo o país de volta à normalidade, não vem sendo aceita pelos Estados Unidos, que defendem que os países envolvidos na ofensiva assumam esse papel.
No entanto, segundo o presidente francês, Jacques Chirac, só uma administração da ONU poderia dar legitimidade a um novo governo no país.
"A reconstrução política, administrativa, social e econômica do Iraque precisa começar assim que possível. Essa será uma tarefa imensa e, em nossa opinião, o papel central deve ficar com as Nações Unidas. Apenas as Nações Unidas têm a legitimidade necessária", disse Chirac.
Ajuda humanitária
"Apenas as Nações Unidas podem garantir ao povo iraquiano que sua integridade, soberania e identidade serão completamente reconhecidas."
 Os resultados (da guerra) são conhecidos e lamentáveis  | | Vladimir Putin |
O presidente russo, Vladimir Putin, destacou no encontro os efeitos da guerra no Iraque, e também destacou a necessidade de que a ONU tenha um papel importante na reconstrução do país.
"Os resultados (da guerra) são conhecidos e lamentáveis (…) Estamos ainda convencidos de que uma solução militar não tem futuro e que o nosso principal objetivo deve ser resolver a questão dentro da estrutura prevista pela ONU", disse.
Por sua vez, o chanceler alemão, Gerhard Schröder, disse que "não vê motivo" para mudar sua posição contrária à guerra, mas disse que, nesse momento, a prioridade deve ser enviar ajuda humanitária aos iraquianos.
"As Nações Unidas e suas ONGs são muito experientes na distribuição de ajuda", disse. "Isso precisa ser aproveitado. Estou feliz de pensar que a ONU deve ter um papel, como foi ressaltado nas conversas entre (o presidente americano, George W.) Bush e (o premiê britânico, Tony) Blair."
"O mesmo vale para a fase seguinte - a fase de reconstrução do país. A Alemanha pode e irá participar da reconstrução se ela acontecer sob coordenação da ONU", completou.
Estado americano
Antes do encontro, o vice-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Paul Wolfovitz, reiterou a posição americana de que a ONU não deve ter um papel central na reconstrução iraquiana.
Wolfovitz disse que, se quiserem ajudar o país, os países que não participaram da ofensiva contra o Iraque deveriam pensar em perdoar as dívidas que possuem com ele.
"Espero que eles pensem sobre essas imensas dívidas, que surgiram de empréstimos feitos por Saddam Hussein para construir armas, construir palácios e criar instrumentos de repressão", disse.
A sugestão do vice-secretário de Defesa americana foi descartada por Gennady Seleznyov, presidente da câmara baixa do Parlamento russo, a Duma.
Ele disse que a questão das dívidas seria discutida apenas com um governo legítimo do Iraque.
"O Iraque não é o 51º Estado americano", teria dito ele, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
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