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| 04 de abril, 2003 - Publicado às 02h55 GMT |
| Análise: Colin Powell busca o apoio dos europeus |
 Secretário de Estado dos EUA não apresentou idéias concretas
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Barnaby Mason
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, visitou nesta quinta-feira Bruxelas – sua primeira visita à Europa ocidental desde janeiro – para tentar conciliar as diferenças entre Washington e os países europeus no tocante à guerra no Iraque.
Depois das conversas com ministros das Relações Exteriores dos países da União Européia e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ele disse que a ONU (Organização das Nações Unidas) terá um papel a desempenhar quando o conflito chegar ao fim – mas que serão aqueles que estão lutando no Iraque que vão liderar a reconstrução do país.
Levantando outra intrigante possibilidade, Powell disse que todos os aliados dos Estados Unidos estão dispostos a considerar uma contribuição da Otan no processo de estabilização do Iraque, se isso for necessário.
Conciliação foi a palavra que, para muitos, deu a tônica do dia.
Indefinição
George Papandreou, ministro do Exterior da Grécia, que ocupa a presidência rotativa da União Européia, disse que estava surgindo um consenso quanto à forma como o Iraque deveria ser governado.
O secretário-geral da Otan, George Robertson, disse a mesma coisa. Segundo ele, podem ter havido divergências no passado, mas nunca diferenças irreconciliáveis.
Por outro lado, nada de definitivo foi definido em Bruxelas.
A maioria dos governos europeus acredita que a ONU precisa ter um papel central em ajudar os iraquianos a desenvolver uma nova ordem política e reconstruir o país.
Ficou claro nos comentários de Colin Powell que o órgão, porém, não deve receber essa missão.
 O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, sugeriu que a ONU realize uma conferência internacional semelhante à que determinou o futuro do Afeganistão no final de 2001. (...) Quando questionado sobre a proposta, Powell simplesmente mudou de assunto. | | Barnaby Mason | A ONU com certeza deve ter um papel no processo, disse Powell, mas qual exatamente seria esse papel ainda não está claro.
Powell se referiu à ONU como um órgão coordenador em termos de assistência à população, mas que trabalharia em conjunto com um governo iraquiano interino que seria estabelecido pelos Estados Unidos depois de uma fase inicial de controle militar do país.
Alto custo
O secretário de Estado americano disse que a coalizão militar no Iraque – isto é, essencialmente os Estados Unidos e a Grã-Bretanha – não está deixando os outros países de fora.
Mas, ao invadir o Iraque, britânicos e americanos iniciaram um trabalho difícil, que tem um custo alto, e por isso a coalizão deveria ter um papel de liderança em determinar qual é o caminho que o Iraque deve seguir.
Tal idéia é só um pouco mais leve do que a que já havia sido apresentada por Powell quando defendeu que Washington tivesse um papel significativo e dominante no Iraque pós-guerra.
Também há indícios de que Estados Unidos e Grã-Bretanha não estão inteiramente de acordo com o que deve ser feito no país após o conflito.
O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, sugeriu que a ONU realize uma conferência internacional semelhante à que determinou o futuro do Afeganistão no final de 2001.
Quando questionado sobre a proposta, Powell simplesmente mudou de assunto. Pareceu que ele a estava esnobando.
Uma outra possibilidade é que, mesmo que o secretário seja favorável à conferência, o Pentágono e outros membros do gabinete de Bush não seriam.
Não está claro se existe algum tipo de disputa interna ocorrendo em Washington sobre o grau de envolvimento da ONU no Iraque.
Otan
Em Bruxelas, os americanos também fizeram circular a idéia de que a Otan pudesse ser usada como força de estabilização do Iraque em um estágio posterior da intervenção no país.
 Se o governo Bush quer ajuda internacional significativa, terá que fazer concessões, a fim de das a outros países poder real nas decisões a serem tomadas. | | Barnaby Mason | Powell disse estar satisfeito que todos os seus colegas disseram que estavam dispostos a levar a idéia em consideração – isso, apesar do próprio secretário ter tomado o cuidado de não se comprometer com a proposta em público.
George Robertson disse que a maioria dos membros da Otan acham que teriam que esperar que a questão de como se dará a intervenção da ONU no Iraque pós-guerra seja respondida primeiro, antes de cogitar a próxima etapa.
O principal problema neste caso será tentar encontrar consenso para formular uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU, a fim de autorizar operações no Iraque depois da atual ofensiva.
Certamente, a União Européia e outros países não se envolverão em uma reconstrução em larga escala do Iraque sem um mandado das Nações Unidas.
A maior parte dos membros do Conselho de Segurança vai querer que a investigação sobre as supostas armas de destruição em massa em poder do Iraque seja concluída pelos fiscais de armas da ONU.
Os Estados Unidos, por outro lado, estariam pretendendo tomar a tarefa para si.
A escolha das palavras de qualquer resolução que vier será complicada, já que França, Rússia e outros países estão determinados a não deixar legitimar implicitamente no documento a ofensiva militar.
O ressentimento virá à tona novamente caso se interprete que os Estados Unidos só estão interessados na ONU como instrumento para servir a seus propósitos.
Se o governo Bush quer ajuda internacional significativa, terá que fazer concessões, a fim de das a outros países poder real nas decisões a serem tomadas.
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