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| 28 de março, 2003 - Publicado às 19h34 GMT |
| No Egito, crianças vão às ruas contra a guerra |
 'Estamos preocupados com nosso futuro', diz egípcia
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Silvia Salek, enviada especial ao Cairo
Repetindo o discurso de guerra santa dos adultos, mais de cem crianças gritaram, em coro, que dariam seu sangue e suas vidas em defesa do Iraque em uma manifestação no Cairo nesta sexta-feira.
"Não sei se meu pai vai deixar, mas vou lutar se for preciso", disse o pequeno Mahmud Sotel, de 9 anos de idade.
Meninos e meninas, de cinco a 10 anos, carregavam cartazes acusando o presidente americano de massacrar iraquianos e denunciando a guerra como uma tentativa de controlar o petróleo do Iraque.
As crianças acompanhavam a passeata de adultos em volta da mesquita de Al Ashar, palco de confrontos violentos entre manifestantes e a polícia na semana passada.
Boicote
A estudante Sarah Said, de 10 anos, viajou mais de 200 quilômetros de ônibus, junto com uma vizinha, para participar do protesto no Cairo.
Sarah fazia parte de um grupo de cerca de 10 crianças que carregava cartazes pedindo o boicote de empresas como o McDonald's e a Coca Cola.
"Os americanos acusam a gente de terrorismo, e isso não é verdade", disse a estudante.
"Por causa do Iraque, não compro mais produtos dos Estados Unidos. Todas as crianças e adultos deveriam fazer a mesma coisa", disse a menina.
Impacto
Desde que começou a guerra, o funcionário público egípcio Yasser Salah, de 40 anos, tem, freqüentemente, participado de protestos contra a ação militar.
Dessa vez, ele resolveu levar para as ruas o filho, Mohammad, de 10 anos.
"Não vamos nos esquecer nunca dessa guerra. Essa injustiça vai ficar registrada na nossa memória e na memória dos nossos filhos", disse o egpcio.
Uma egípcia, que não quis se identificar, levou as duas filhas para o protesto. Ela vestia um traje preto, que cobria todo o seu rosto e suas mãos.
"Não obrigamos nossas crianças a nada. Elas vêm para cá porque querem. É normal que os filhos pensem como os pais. Isso é normal aqui, nos Estados Unidos e em qualquer lugar", disse a egípcia que, apesar de não querer se identificar, fez questão de posar para uma foto ao lado das filhas fazendo o "V" da vitória.
Ela disse que a idéia de trazer as crianças para a manifestação teve o objetivo de mostrar para o mundo que não são apenas jovens radicais que protestam contra a ação liderada pelos Estados Unidos.
"Não é certa a imagem de que os manifestantes querem o confronto. Somos familias, homens, mulheres e crianças, preocupados com o nosso futuro", acrescentou a egípcia. |
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