O Brasil é visto com doses iguais de admiração e desconfiança pelo Paraguai. Os dois países estão ligados não apenas pela fronteira, mas pelo comércio e pela extensa comunidade brasileira que vive em território paraguaio, os chamados 'brasiguaios'.
Uma convivência que, apesar de pacífica, exibe alguns pontos de tensão, considerados normais entre dois vizinhos tão próximos. Atividades ilícitas na região da fronteira, como contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, além do comércio de reexportação, são algumas das questões polêmicas nas relações bilaterais.
Os produtores brasileiros, que chegaram ao Paraguai na década de 70 e revolucionaram a agricultura local, introduzindo o cultivo da soja e técnicas modernas, também provocam tanto o reconhecimento por sua contribuição à economia quanto críticas por parte dos mais nacionalistas.
Entre os temas controversos, porém, nenhum tem mais destaque atualmente que a Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída em parceria entre os dois países. O Paraguai usa apenas 5% da parte que lhe cabe da energia gerada pela usina. O restante, é vendido ao Brasil, a preço de custo.
O aumento do valor que o Paraguai recebe pela energia que vende ao Brasil está no centro da campanha para as eleições presidenciais no país, que ocorrem em abril. Todos os candidatos incluíram a revisão dos termos do Tratado de Itaipu, que deu origem à usina, entre suas propostas.