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28 de abril, 2000 Publicado às 20h20 GMT
Especial: Vietnã, 25 Anos Depois
Os EUA refletem sobre o Vietnã
Veteranos da guerra ainda sentem calafrios ao ouvir o barulho de um helicóptero

Tom Carver, correspondente da BBC em Washington

Talvez seja o eterno otimismo norte-americano que torne tão difícil que os Estados Unidos aceitem uma derrota.

Enfrentar uma guerra é um esforço por si só extremamente difícil.

Entretanto, é mais fácil aceitar os sacrifícios inerentes a um conflito militar quando as pessoas envolvidas acreditam que vale a pena lutar.

Vinte e cinco anos depois, o legado deixado pela Guerra do Vietnã é o consenso entre milhões de americanos de que tudo não passou de um tremendo desperdício de vidas.

A Guerra do Vietnã é a maior e pior guerra na memória da maioria dos americanos.

Mesmo assim, o governo não programou comemorações especiais para marcar a passagem do seu vigésimo quinto aniversário.

O presidente Clinton sequer pretende fazer qualquer menção à Guerra do Vietnã no domingo. Num gesto simbólico, veteranos da guerra vão lavar o Memorial do Vietnã.

Mas isso será feito às 6 da manhã, quando o céu ainda está escuro.

Imagens da guerra ainda estão frescas nos EUA

Até mesmo a cobertura da mídia está se concentrando mais nas relações diplomáticas dos Estados Unidos com o Vietnã nos dias de hoje, ao invés de relembrar o conflito.

Mas a dor não pára. Vinte e cinco anos depois, qualquer brincadeira sobre a Guerra do Vietnã ainda é considerada de extremo mau gosto nos Estados Unidos.

As feridas ainda não cicatrizaram.

Um dos veteranos da guerra, Tom Corey, está numa cadeira de rodas desde que foi alvejado no pescoço, quando participou de um ataque contra forças do Vietnã do Norte em 31 de Janeiro de 1968.

Para ele, a guerra não passou de um escape fútil: "Nós, os soldados, tínhamos essa noção desde o começo da guerra e sabíamos que tudo estava sendo feito da maneira errada se os Estados Unidos queriam vencer".

Um problema sem solução

O debate sobre como a guerra foi travada ainda persiste até hoje.

A noção de que os Estados Unidos não conseguiriam vencer no Vietnã ganhou força entre os americanos desde o início do conflito.

O secretário da defesa da época, Robert McNamara, disse em 1967 que "a Guerra do Vietnã é um problema sem solução".

Hoje é difícil avaliar o peso da ameaça que o comunismo representava nos anos 60.

Veteranos estão finalmente recebendo as honras

Aqueles que defendiam a guerra consideravam o combate ao comunismo como a única opção viável na luta pela sobrevivência do estilo de vida americano.

Em setembro de 1967 o presidente Lyndon Johnson escreveu: "Eu não estou preparado para colocar em risco a segurança - a sobrevivência - dos Estados Unidos ao me negar a enfrentar o problema. Eu tenho certeza de que ao travar essa guerra agora nós estamos reduzindo drasticamente as chances de que uma guerra em escala muito maior - talvez um guerra nuclear - venha a acontecer".

Mudança de opinião

Vinte e cinco anos depois da guerra, os historiadores estão começando a concordar com Johnson.

W. W. Roston, que trabalhava na Casa Branca durante o conflito, disse que a guerra esteve longe de ser fútil.

A Guerra do Vietnã impediu, por 16 anos, o crescimento do comunismo no Extremo Oriente.

Durante esse período, os países da região se desenvolveram economicamente, enviando um sinal firme às superpotências comunistas da China e a União Soviética.

Isso serviu para indicar que o futuro da economia no Extremo Oriente poderia seguir outro rumo.

E agora, de forma lenta e gradual, os cidadãos americanos estão começando a reconhecer o esforço e a contribuição feitos pelos soldados americanos durante a Guerra do Vietnã.

Escolas e Universidades vêm convidando veteranos para dar palestras e contar suas experiências para as gerações mais novas.

Os Estados Unidos tomaram parte na Guerra do Vietnã certos de sua capacidade e do seu destino glorioso.

Quinze anos depois, a nação se tornou muito mais dividida, incerta sobre o futuro e tentando descobrir o que iria acontecer no futuro.

A Guerra do Vietnã foi uma provação, mas finalmente os Estados Unidos estão começando a superar os traumas criados pelo conflito.

Talvez a comemoração dos 50 anos da Queda de Saigon seja mais espontânea e conte com a participação de uma parcela mais expressiva da população norte-americana.

 

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