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15 de dezembro, 1999 Publicado às 12h00 GMT
Especial Chechênia

Controle ou independência?


Tropas russas já controlam boa parte da Chechênia

Da Redação da BBC

A Rússia começou a ofensiva contra a república autônoma da Chechênia em setembro, com o objetivo inicial de acabar com as bases de guerrilheiros islâmicos.

Moscou decidiu intervir porque os rebeldes começaram a expandir as suas operações pelo Cáucaso, promovendo ataques no vizinho Daguestão.

Maioria muçulmana

A Chechênia, como o Daguestão, é uma república autônoma do sul da Rússia.

Antes da recente ofensiva dos russos, a Chechênia tinha pouco mais de 900 mil habitantes, a maioria muçulmanos.

De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, apenas 150 mil habitantes ainda estão na república, acompanhados por 90 mil soldados russos.

A maioria muçulmana da Chechênia declarou a independência da região em 1991, enquanto a União Soviética se desintegrava.

Mas essa independência não foi reconhecida internacionalmente.

Em um primeiro momento, a Rússia ignorou os separatistas chechenos.

80 mil mortos

Depois do fracasso das negociações com os líderes separatistas, em novembro de 1994, os russos decidiram retomar o controle sobre a região por força e começaram uma guerra que durou mais de um ano e meio e deixou 80 mil mortos.

A guerra acabou com um acordo de paz em 1996.

A Rússia teve que retirar os seus soldados da Chechênia e garantir à região autonomia para gerir os seus próprios assuntos.

A decisão sobre o estatuto final da Chechênia, isto é, se a região se tornaria independente ou não, foi adiada para 2001.

Mesmo sendo economicamente dependente dos russos e constitucionalmente uma parte da Rússia, a Chechênia passou a funcionar com um governo praticamente independente.

As eleições de 1997 foram vencidas pelo moderado Aslan Maskhadov, mas o coronel reformado não conseguiu controlar o caos que se abateu sobre a região.

Local perigoso

A Chechênia é considerada hoje um dos lugares mais perigosos do mundo.

A pobreza aumentou depois que o governo russo se recusou a pagar a ajuda prometida para a reconstrução da república autônoma.

Essa pobreza generalizada, aliada à disponibilidade de armas de fogo, levaram a uma explosão na criminalidade.

Os guerrilheiros oposicionistas e os líderes islâmicos executavam sequestros frequentes atraídos pelo valor do resgate e pela motivação política de manter a Rússia longe dos assuntos chechenos.

Politicamente, a república autônoma vivia um conflito entre aqueles que queriam um Estado independente democrático, como o líder Maskhadov, e aqueles que defendiam um Estado islâmico.

"Ordem na casa"

Maskhadov se encontrava enfraquecido e não conseguia controlar as gangues de criminosos e os grupos islâmicos radicais, que passaram a disputar o território da região.

Depois de uma onda de atentados em Moscou, que foram atribuídos a grupos islâmicos, o governo russo passou a ter o apoio da população para a atual ofensiva na Chechênia, ao contrário do que ocorreu durante a guerra de 1994 a 1996, que custou a vida de muitos soldados russos.

Com isso, o governo da Rússia agora tem respaldo político interno e uma boa justificativa - botar ordem na casa - para a sua recente ofensiva.


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