21 de janeiro, 2005 - 17h57 GMT (15h57 Brasília)
As vendas de cigarro na Itália caíram 23% desde que o fumo foi proibido em lugares públicos há três semanas.
Grupos de comerciantes já ameaçaram entrar na Justiça contra a medida, que proíbe o cigarro em bares, restaurantes e escritórios.
"Esses dados (sobre a queda da venda de cigarros) são preocupantes para os vendedores de cigarros", dise Maurizio Bruni, presidente da associação da categoria.
Cerca de 25% dos italianos fumam, e estima-se que 90 mil morrem de doenças relacionadas ao fumo todos os anos no país.
Preocupação
"Embora eles tenham entendido o espírito da lei e a necessidade de ensinar aos cidadãos sobre saúde, os vendedores estão vendo o seu lucro cair drasticamente", disse.
Bruni disse que as tabacarias querem menos impostos e a oportunidade de vender outros produtos e serviços.
As tabacarias ocupam um lugar especial na cadeia varejista italiana.
Elas são principal lugar para se comprar cigarros e, em geral, são pequenas, concorridas, muito reguladas e pagam muitos impostos.
Mas os tempos estão mudando para os fumantes italianos, e as leis anti-fumo do país estão entre as mais duras da Europa.
A introdução da novidade é desafio para muitos moradores do país, para os quais fumar um cigarro tomando um café é um hábito diário.
Muitos donos de bares e restaurantes não instalaram nos seus estabelecimentos uma sala para fumantes, como exige a nova lei. Alguns também ameaçam não agir contra os fumantes que desafiarem a mudança.
Multa
Se um estabelecimento for flagrado permitindo o fumo ele poderá ser multado em 2 mil euros (cerca de R$ 7 mil), enquanto o próprio fumante também pode receber uma multa de 275 euros (cerca de R$ 974).
O governo diz que a nova lei é necessária para proteger a população como um todo dos riscos do chamado fumo passivo.
No ano passado, dois outros países europeus – a Irlanda e a Noruega – introduziram políticas semelhantes.
Além de proibir o fumo em locais públicos fechados, as autoridades italianas também lançaram uma campanha para incentivar a população a deixar o vício.
A campanha, particularmente voltada às mulheres, prega que “fumar não é sexy” e pede para que as mulheres não “queimem” suas belezas com o tabaco.