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Atualizado às: 17 de junho, 2004 - 01h46 GMT (22h46 Brasília)
 
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Economistas nos EUA elogiam decisão do Copom
 

 
 
Bolsa de Valores
A decisão era esperada por mercado financeiro e setor produtivo
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter as taxas de juros brasileiras em 16% bateu com as expectativas do mercado e foi elogiada como "prudente" por economistas e analistas nos Estados Unidos.

"Em poucas reuniões do Copom houve tanto consenso em torno de qual deveria ser ação do Banco Central, e as previsões se confirmaram. A economia brasileira está em uma trajetória de crescimento e o Banco Central está certo em tomar medidas para preservar sua credibilidade e manter as metas de inflação", disse o economista-chefe para a América Latina do Banco Goldman Sachs, Paulo Leme.

"No mês passado tive a impressão de que o Banco Central estava conservador demais, mas agora me parece que a inflação está se revelando mais forte do que o esperado. O Copom tinha razão no mês passado, e está certo de novo ao agir com prudência", avaliou o ex-conselheiro do Fundo Monetário Internacional, John Williamson, de Instituto de Economia Internacional, em Washington.

O economista-chefe da América Latina do Banco HSBC, Paulo Vieira da Cunha, disse que a autoridade monetária brasileira teve de adotar a postura prudente por conta dos impactos do aumentos no petróleo - mais longo do que o esperado - e das expectativas de uma alta nos juros nos países ricos.

"Acreditamos que o Banco Central vai incorporar um aumento nas expectativas da inflação, para algo em torno de 7% (ainda dentro da margem da banda cambial) e aceitar este novo patamar de estabilidade. Isso poderia permitir queda nos juros ainda neste ano", avaliou o economista.

Crescimento

Paulo Vieira da Cunha diz que o HSBC reviu sua expectativa de juros nominais no fim do ano de 14% para 15%, devido à interrupção nos cortes da taxa nos últimos dois meses.

"Mas a alta na inflação, no entanto, acaba anulando parte dos juros nominais e provocando uma queda real na taxa. A queda nos juros reais é um dos motivos para que continuemos projetando um crescimento de 3,5% a 3,7% do PIB brasileiro deste ano", disse.

O economista-chefe para a America Latina da consultoria Idea Global, Alberto Barnal, diz que a manutenção dos juros mais altos vai afetar a atividade econômica brasileira.

Mas o impacto poderia ser compensado pelo crescimento acentuado da economia mundial previsto para este ano.

"É um cenário mais delicado, mas as perspectivas de crescimento para o Brasil não devem ser afetadas", diz Barnal.

Juros

Para o economista, o espaço para a redução nos juros brasileiros em 2004 é extremamente limitado.

"Antes projetava-se em Wall Street uma queda de até 200 pontos base (2 pontos porcentuais) nos juros brasileiros até o fim do ano. Agora, os mais otimistas falam em 50 pontos base (0,5 ponto porcentual)."

O economista John Williamson diz que não fazem sentido agora reduções rápidas que possam deixar o país vulnerável a crises.

"É uma pena, porque seria muito bom para o Brasil reduzir as taxas de juros, para aumentar o crescimento. Mas é melhor um processo de redução gradual, que possa sobreviver por mais tempo, do que um corte rápido, que tenha de ser revertido por alguma crise", disse Williamson.

 
 
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