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Parmalat deve ter dificuldade para vender ativos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A matriz da Parmalat pode ter dificuldades para vender os ativos da empresa no Brasil. Vários produtores de leite e derivados ouvidos pela BBC Brasil disseram não ter interesse em adquirir as unidades industriais da empresa. Segundo o diretor-presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Almir Meireles, a tendência é que a fatia do mercado controlada pela Parmalat seja dividida entre as outras empresas do setor, que atualmente trabalham com capacidade ociosa e podem ampliar a produção sem necessidade de novos investimentos. Meireles explica que o setor já sofria com uma crise de falta de capital de giro que só se agravou com os problemas da Parmalat. "A produção já está 80% parada e alguém está comprando o leite que seria entregue à Parmalat", argumenta. Marca A capacidade ociosa deve ficar mais evidente no segundo semestre, quando, por questões sazonais, a produção de leite diminui um pouco. O maior patrimônio da Parmalat sempre foi a marca, no topo das pesquisas que medem o prestígio e a persistência da marca na memória do consumidor, mas ela ficou desgastada e perdeu valor com a crise da empresa italiana. A explicação do vice-presidente da Vigor, Vinicius Vieira Ramos, para o não interesse da empresa nos ativos da Parmalat seria um indicativo das dificuldades."Não temos nenhum interesse. É uma empresa muito complicada e não gostamos disso", afirma Ramos. A Danone, concorrente da Parmalat na área de produtos lácteos frescos – iogurte, leite fermentado e sobremesas lácteas – também descartou comprar ativos da empresa italiana. Falta de dinheiro Para outras empresas, menores, a dificuldade é mesmo a falta de recursos. Empresários do setor dizem que o mais provável é que as fábricas sejam adquiridas por uma empresa de fora, interessada em entrar no mercado brasileiro, ou uma empresa já instalada com interesse na unidade de uma região específica. A sueca Arla chegou a anunciar, no início da semana, que estava interessada em negociar a Parmalat no Brasil, mas depois negou o negócio. A pulverização do mercado de leite facilita a ocupação, por outras empresas, do espaço deixado pela Parmalat. Em todo o país, são 130 empresas, responsáveis pela produção de 4,2 bilhões de litros de leite longa vida por ano. Ou seja: há muitas empresas, cada uma com pequena participação de mercado, e marcas fortes apenas regionalmente. A produção total de leite fiscalizado chega a 13,2 bilhões de litros e o total, incluindo o produto utilizado na indústria de laticínios e produção vendida diretamente ao consumidor, sem fiscalização, é de 21,6 bilhões de litros por ano. |
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