BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 25 de julho, 2003 - 10h33 GMT (07h33 Brasília)
 
Envie por e-mail Versão para impressão
Aposentado nos EUA recebe 44% do último salário
 
 

 
 
Idosos
Envelhecimento da população ameaça previdência dos EUA

A aposentadoria média paga pela Previdência Pública dos Estados Unidos equivale a 44% do último salário recebido pelo trabalhador americano.

Esse é um dos pontos que mostram, na comparação entre a previdência pública no Brasil e nos Estados Unidos, que os benefícios do sistema americano são bem menos generosos do que os do sistema brasileiro.

Não existem nos Estados Unidos aposentadorias integrais para o funcionalismo público.

"Em média, a aposentadoria paga pelo governo federal americano, tanto para servidores públicos quanto privados atinge 44% do último salário recebido", disse Michael Tanner, um especialista em previdência do centro de pesquisas Cato Institute, de Washington.

"O valor da aposentadoria é calculado através de uma fórmula progressiva que considera tanto as contribuições feitas pelo trabalhador quanto sua renda média durante os 35 anos em que ele recebeu os salários mais altos de sua carreira”, ele afirmou.

O tempo de contribuição também é um outro ponto que mostra as diferenças entre os dois sistemas.

A maioria dos americanos, tanto funcionários públicos quanto os da iniciativa privada, se aposenta aos 65 anos.

No Brasil, funcionárias públicas podem hoje parar de trabalhar aos 48 anos. Seus colegas do sexo masculino se aposentam aos 55 anos.

Mas apesar das regras mais rígidas, a Previdência Pública americana é uma bomba-relógio que deve explodir em 2018.

De acordo com estimativas feitas pela administração do Social Security (Segurança Social), a previdência americana, daqui a quinze anos o envelhecimento da população e a diminuição do número de trabalhadores ativos causarão um déficit estimado em US$ 25 bilhões (cerca de R$ 72 bilhões) ao sistema.

Existem hoje 44,5 milhões de pensionistas nos Estados Unidos cuja remuneração garantida pela Previdência chega a US$ 500 bilhões (em torno de R$ 1,4 trilhão), cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) americano.

"Em 2018, existirão aproximadamente 65 milhões de pensionistas e o desembolso do governo chegará a quase US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 4 trilhões)", disse Jeffrey Brown, professor da Universidade do Illinois e especialista em finanças previdenciárias.

"O déficit no sistema previdenciário é uma questão global que afeta seriamente países como Estados Unidos e Brasil", disse Brown.

"As alternativas são simples: aumentar dramaticamente os impostos ou reduzir os benefícios pagos aos pensionistas."

Além de contar com o programa de Previdência Pública americano, grande parte dos servidores públicos federais, como os juízes, contribui para um plano de pensão complementar, o Federal Trust Fund Savings (Fundo Federal de Administração de Poupança).

"Os benefícios complementares do fundo federal são calculados a partir das contribuições feitas e dos juros obtidos pelo investimento do montante contribuído", disse Tanner.

Diferentemente do modelo brasileiro atual, os aposentados americanos pagam imposto sobre os seus rendimentos, seguindo as alíquotas devidas pelos demais trabalhadores.

Maioria

Hoje, dois terços dos americanos acima dos 65 anos de idade dependem basicamente das pensões pagas pelo sistema.

Desse montante, 20% americanos tem a Previdência como sua única fonte de renda.

"Os americanos costumam recorrer a um tripé formado pela Previdência Pública, programas de previdência privada – como os chamados fundos 401K – e poupanças individuais", afirmou Jeffrey Brown.

"Mas acontece que, além da Previdência Pública, as duas outras pernas desse tripé também apresentam problemas: a taxa de poupança individual é muito baixa nos Estados Unidos e os fundos de previdência privada cobrem menos da metade da força de trabalho do país."

Sem contar com poupança individual ou plano de previdência privada, o carteiro aposentado nova-iorquino Peter Adenolfi, de 77 anos, atravessa hoje sérias dificuldades financeiras, depois de 45 anos de trabalho e contribuições para a Previdência Pública americana.

Adenolfi integra um universo de 6 milhões de idosos americanos que vivem próximos ou abaixo da linha de pobreza.

Baixa renda

"Minha aposentadoria líquida mensal é de US$ 1.373,51. Mas depois de pagar despesas como o condomínio, o seguro de meu apartamento e os planos de saúde para mim e minha mulher, sobram US$ 245,76 para vivermos", disse Adenolfi.

"Eu não posso comprar um vestido ou sapatos para ela. Estamos vestindo roupas que compramos há dez, quinze anos. Isso é uma vergonha!"

A baixa renda de Adenolfi para os padrões americanos se deve ao fato de que a Previdência Pública americana, ao contrário do que acontece hoje no Brasil, não paga aposentadorias integrais.

"Fui reclamar com o pessoal do Social Security e eles me disseram que eu não contribuí o suficiente para a minha aposentadoria para receber mais", afirmou Adenolfi.

"Mas isso não é minha culpa, porque quando eu tinha dezessete anos, eu ganhava apenas dezoito dólares por semana."

Questão política

Criado pelo presidente Franklin Roosevelt em 1935, o sistema de Previdência Pública americano foi projetado para amparar trabalhadores que completassem 65 anos de idade.

O sistema é hoje considerado antiquado por especialistas.

De acordo com Jeffrey Brown, a reforma da Previdência Pública americana é um tema que polarizará o debate político durante o mandato do próximo presidente americano, a partir de 2005.

"De maneira geral, o partido Republicano defende que os trabalhadores tenham uma conta individual de poupança voluntária", afirmou Brown. "Por outro lado, os democratas, também de maneira geral, se opõem a essa idéia."

"Infelizmente, o debate político de hoje se resume a acusações sobre quem vai cortar os benefícios de quem. Nós (os americanos) teríamos muito mais alternativas se um debate mais produtivo fosse iniciado desde já para resolver a questão."

Questão contábil

Do ponto de vista contábil, a maior falha da Previdência Pública americana – que é também comum ao sistema brasileiro – está no chamado regime de repartição.

Ele prevê que cada geração de trabalhadores pague pela aposentadoria dos mais idosos, na crença de que as gerações futuras farão o mesmo.

Mas diante da atual tendência demográfica de envelhecimento da população global e de menores taxas de natalidade, o sistema de repartição tem-se demonstrado insustentável.

"Os trabalhadores americanos mais jovens já sabem que não poderão depender exclusivamente da previdência pública", disse Brown.

"Pessoalmente, a longo prazo, não vejo grandes alternativas à criação de algum tipo de conta individual de poupança previdenciária", afirmou. "As contas individuais trazem a oportunidade de estimular a taxa de poupança nacional."

De acordo com estimativas feitas pelo censo americano, nos próximos 30 anos, o número de idosos praticamente dobrará nos Estados Unidos, devendo chegar a 75 milhões de pessoas por volta de 2040.

A expectativa de vida também tem crescido no país. O cidadão americano que hoje completa 65 anos deve viver pelo menos mais 18 anos, cinco anos a mais do que aqueles que completaram a mesma idade em 1940. A maioria receberá aposentadorias por pelo menos 30 anos.

 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
 
 
LINKS EXTERNOS
 
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
 
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade