| 29 de maio, 2003 - Publicado às 13h33 GMT |
| Bush ignorou estudo crítico sobre orçamento, diz jornal |
 Bush aprovou corte de impostos na quarta-feira
|
O governo dos Estados Unidos teria ignorado um relatório pedido pelo Departamento do Tesouro americano que prevê um déficit orçamentário de mais de US$ 44 trilhões (R$ 136,3 trilhões) e defende aumento de impostos.
É o que diz o jornal britânico Financial Times em sua edição desta quinta-feira. De acordo com a reportagem, esse estudo foi deixado de fora do relatório sobre o orçamento americano apresentado em fevereiro, quando a Casa Branca fazia lobby por cortes de US$ 350 bilhões (R$ 1,09 trilhão) em impostos.
Esses cortes, que são o oposto do que recomendava o estudo do Tesouro, segundo o jornal, foram transformados em lei pelo presidente George W. Bush na quarta-feira.
O jornal diz que o estudo é "a mais ampla avaliação de como o governo dos Estados Unidos está correndo o risco de ser subjugado pelos custos futuros de aposentadoria e tratamento de saúde da chamada geração baby boom" (termo que designa a geração nascida após a Segunda Guerra Mundial).
Críticas
"(O estudo) estima que para fechar a diferença seria necessário um aumento imediato e geral de 66% em impostos", diz o Financial Times.
O governo Bush tem sido duramente criticado por esse corte de impostos, adotado quando a economia americana está estagnada, e o desemprego, em alta.
Em 2001, o governo dos EUA já tinha instituído um corte de impostos equivalente a US$ 1,65 trilhão em dez anos.
Segundo o Financial Times, foi o ex-secretário do Tesouro Paul O'Neill - que saiu do cargo em dezembro - quem encomendou o estudo.
Desentendimentos
Dois economistas importantes do Departamento do Tesouro comandaram o estudo: Kent Smetters, ex-subsecretário-assistente para política econômica, e Jagdessh Gokhale, consultor do Tesouro na época.
Segundo Smetters, não estava prevista a inclusão do estudo no relatório do orçamento. "Estava previsto que seria uma avaliação interna sobre como reformar o orçamento", disse ele, segundo o jornal.
Gokhale contradisse essa afirmação.
"Quando estávamos fazendo o estudo, minha impressão era de que estava previsto que apareceria (no orçamento)", disse ele.
Mas Gokhale acrescentou que era prática comum dos governos americanos ignorar relatórios críticos semelhantes na última década. |
 |
|
|
|