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08 de maio, 2003 - Publicado às 14h59 GMT
Sars ameaça a venda de soja do Brasil para China
Soja brasileira pode sofrer os efeitos da Sars
Soja brasileira pode sofrer os efeitos da Sars

Sonia Ambrosio, de Cingapura

A preocupação com a Sars (sigla em inglês de Síndrome Respiratória Aguda Grave) na China representa uma nova ameaça às vendas de soja brasileira para o país, um dos maiores compradores do produto no mercado internacional.

No ano passado, a China comprou 4,1 milhões de toneladas de soja brasileira, o que equivale a 25% dos grãos exportados pelo país. A perspectiva para este ano era dobrar esse número.

Por causa da Sars, os chineses estão saindo menos de casa para consumir, e já circularam rumores em Hong Kong de que a China estaria cancelado carregamentos de soja da América Latina e dos Estados Unidos com medo de que eles fiquem empacados nas prateleiras de supermercados.

Outro fator que ameaça a venda de soja brasileira é o fato de que a China agora quer garantias de que as vendas da soja do Brasil não apresente nenhum tipo de risco para os consumidores chineses.

Transgênicos

Em dezembro de 2002, a China manifestou preocupação com a presença de transgênicos entre os carregamentos procedentes do Brasil.

No mês passado, reportagens na imprensa internacional diziam que o Brasil está buscando uma forma legal de comercializar neste ano a soja geneticamente modificada ilegalmente cultivado no país.

A princípio, o governo chinês afirmou que continuaria importando a soja brasileira até 20 de setembro, mas, por causa da Sars, as autoridades estão reavaliando as regras de importação de produtos agrícolas.

A China, que é o principal importador do produto brasileiro, quer que o Brasil emita um certificado demonstrando que os carregamentos não representam risco ao consumidor.

O plantio para fins comerciais de produtos transgênicos está proibido no Brasil desde 1998. O grão é geneticamente modificado para adquirir maior resistência aos herbicidas.

A soja é um dos principais produtos de exportação do Brasil e representou US$ 6 bilhões em vendas para o exterior no ano passado.

Um outro fator que pode estar influenciado o possível cancelamento de carregamentos de soja é o fato de que a China está explorando o potencial de produzir a soja no próprio país. Atualmente, a China produz apenas 16 milhões das 29 milhões de toneladas de soja que o país consome.

Frango

Mas não é apenas a soja brasileira que pode ser vítima da Sars. O comércio de carne também está sofrendo as conseqüências da doença.

Restaurantes e supermercados na China, em Hong Kong e em Cingapura já estão importando menos frangos.

Na China, um dos principais fornecedores de carne precisou suspender as operações. Três matadouros de porcos, responsáveis pela venda da carne de 3 milhões de suínos por ano, também foram fechados na semana passada por tempo indeterminado.

Os setores de turismo, gastronomia e comunicação também estão sendo fortemente afetados pela Sars.

As pessoas estão deixando de sair, de comprar e de se divertir, segundo o economista Sailesh Jha, do Banco de Desenvolvimento de Cingapura, durante seminário no Instituto de Estudos dos Países do Sudeste Asiático, sobre o impacto social e econômico da doença.

Sérias conseqüências

Com declínio na produção de manufaturados, exportação e importação terão sérias conseqüências, não apenas para a China, mas para a economia global, disse o economista.

Mesmo que a Organização Mundial da Saúde anuncie dentro de alguns dias que a epidemia na China está sob controle, o sentimento de confiança do consumidor está em declínio, ressaltou Jha.

O economista Zhang Zhongliana, pesquisador oficial do Centro de Monitoramento da Economia da China, disse que o impacto negativo da Sars nas economias da China e de outros países é "muito evidente".

Escolas, restaurantes, cinemas, bares, karaokês e teatros estão fechados devido à doença.

Mesmo visitas de delegações estrangeiras de comércio e exibições internacionais estão sendo limitadas.

Recentemente, a pedido das autoridades em Pequim, foi cancelada a visita de uma delegação de empresários brasileiros.

Para Zhang, a pneumonia atípica está tendo um impacto muito maior por causa dos efeitos no consumo interno chinês.

"Os setores de turismo, comércio, transporte, recreação e alimentos estão sofrendo o impacto da doença, e isso vai se refletir na indústria e na agricultura."

A exportação de soja brasileira pode ser uma das vítimas.
 
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