| 16 de janeiro, 2003 - Publicado às 00h51 GMT |
| Crises derrubam custo de vida na América Latina |
 Buenos Aires foi o principal destaque do levantamento
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Edson Porto
As crises econômicas e políticas da América Latina estão tornando algumas cidades da região muito baratas para executivos internacionais.
Essa é uma das principais conclusões do levantamento sobre o custo de vida em 134 grandes cidades do mundo realizado pela Economist Intelligence Unit (EIU), uma empresa do grupo Economist.
O principal destaque é Buenos Aires. No estudo do ano passado, a capital argentina estava na 21ª posição. Agora, está na 130ª.
O levantamento - divulgado nesta quinta-feira - é publicado anualmente e mostra que Buenos Aires ficou inclusive mais barata do que São Paulo e Rio de Janeiro, que estão na 122ª e 123ª posições respectivamente.
Explicações
Segundo Bill Ridgers, um dos responsáveis pelo levantamento, a variação cambial e as crises políticas estão entre os principais motivos para a mudança de todos os países no ranking.
Um exemplo disso é a saída de Nova York da lista das dez cidades mais caras do mundo. Está na 11ª posição.
"Isso ocorreu porque o euro se valorizou e tornou as cidades européias mais caras", afirma Ridgers.
A desvalorização do dólar diante de várias moedas fortes, além do euro, também pesou na balança, e cidades como Paris, Londres e Genebra ultrapassaram a cidade americana.
Nos Estados Unidos, Nova York é seguida de perto por Chicago, São Francisco e Los Angeles.
África rica
Uma das maiores curiosidades do levantamento é a cidade de Libreville, que fica no país africano do Gabão.
Ela é a quinta cidade mais cara do mundo.
A presença da cidade no topo da lista foi considerada estranha porque um dos motivos para uma cidade ser cara é o fato de pelo menos parte de sua população ser rica.
"Essa elite é formada por expatriados ligados à indústria de petróleo que existe no país", afirma Ridgers.
A combinação entre essa riqueza com a dificuldade de se obter uma série de produtos, que são facilmente encontrados em cidades como Londres e Nova York, encarece a cidade.
"As pessoas acabam pagando um ágio para ter os produtos", explica o responsável pelo levantamento.
Extremos
Apesar de surpresas como essas, o topo da lista pertence a cidades acostumadas à posição. Tóquio é a mais cara; Osaka, a segunda; e Oslo, a terceira.
Na lanterna está mais uma cidade atingida por problemas políticos: Harare, no Zimbábue.
Em meio a uma crise de alimentação e uma briga pelo poder, o país que já foi o celeiro do sul da África está mergulhado também em graves problemas econômicos, e sua moeda tem se desvalorizado bastante.
A lista da Economist Unit funciona como um parâmetro para que multinacionais e funcionários internacionais consigam comparar salários em diferentes partes do mundo.
Segundo a EIU, a pesquisa é focada apenas em uma pequena elite, que vive nessas cidades e serve de guia para mais de 500 mil clientes em todo o mundo. |
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