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08 de setembro, 2002 - Publicado às 19h56 GMT
Banco Asiático defende energia solar no Afeganistão
Afeganistão enfrenta seca e desmatamento
Afeganistão enfrenta seca e desmatamento

Graciela Damiano, enviada especial a Cabul

A energia solar pode ser uma das melhores alternativas de energia renovável para o Afeganistão.

Painéis baratos como os produzidos na Índia estão entre os planos de Ali Azim, especialista em meio ambiente da delegação do Banco de Desenvolvimento Asiático, que está na capital afegã, Cabul, para assinar um memorando de intenções de obras nas áreas de energia e recursos hídricos.

"As pessoas poderiam usar energia solar para aquecer suas casas, ao invés de queimar madeira", disse ele.

O Afeganistão enfrenta uma seca e usa mandeira de forma indiscriminada para gerar energia. Azim acredita que o país precisa de um programa maciço de reflorestamento pois, segundo estimativas, só tem menos de 2% de sua área florestal original.

Agricultura

Segundo o técnico do Banco de Desenvolvimento Asiático, preservar os recursos naturais é fundamental para o Afeganistão pois 85% da população do país depende da agricultura para sobreviver.

Com uma seca que já dura quase quatro anos, não há irrigação, existem grandes áreas de campo minado e o país tem um rebanho muito numeroso para as pastagens existentes.

Para seu programa de reflorestamento, Azim diz que o Banco de Desenvolvimento Asiático pode envolver empresas poluentes na Europa ou nos Estados Unidos.

Azim afirma que todos os dados sobre o país são estimativas bem primárias, o que dificulta o estabelecimento de prioridades.

Uma das primeiras coisas que ele vai sugerir ao governo afegão é a realização de um estudo para levantar o verdadeiro estado dos recursos naturais.

As autoridades também devem criar um órgão para cuidar das questões ambientais.

Azim estima que o custo de um programa para recuperar a vegetação afegã pode chegar a mais de US$ 100 milhões no longo prazo.

Doenças

O Banco de Desenvolvimento Asiático também está atento à contaminação da água e deve ajudar na criação de um laboratório que analise sua qualidade.

"A maioria das doenças em Cabul e outras cidades afegãs são gastrointestinais, ou seja, são causadas pela água contaminada. O governo vai poder analisar a água e determinar se ela é própria para o consumo", disse Azim.

Ali Azim é afegão. Ele mora nas Filipinas há mais de 20 anos, mas disse que tem um interesse especial no processo de recuperação do Afeganistão.

"Energia solar pode garantir à população acesso a coisas como o rádio e luz durante a noite pode dar a ela melhor qualidade de vida. Hoje as pessoas vivem em função dos movimentos do sol. Espero que a implementação desses projetos tenha um efeito para eles", concluiu o técnico.

Clique aqui para ler o especial sobre um ano de 11 de setembro
 
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