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01 de julho, 2002 - Publicado às 16h08 GMT
Análise: Acerto de contas na Nova Economia
Worldcom admitiu fraudes em sua contabilidade
Worldcom admitiu fraudes em sua contabilidade

Caio Blinder, de Nova York

O pacto social da Nova Economia foi um feitiço. Os magos das pontocoms e das telecoms prometeram para a massa de investidores que as velhas regras da economia não valiam mais.

O que valia era o lucro contínuo, a ser conquistado a qualquer custo. A massa foi cúmplice e investiu no conto da Enron, da WorldCom e outras tantas corporações.

A Nova Economia teve seus falsas profetas, mas não se baseou apenas em falsas expectativas. Entre 1995 e 2000, havia razão para a festa.

A prosperidade foi real para milhões de pessoas, e alguns conseguiram faturar bilhões. Os ganhos de produtividade e as inovações tecnológicas abriram oportunidades incríveis.

Lucros fabulosos

As fraudes contábeis foram conseqüência da necessidade de manter os lucros fabulosos depois que a bolha estourou ou simplesmente de esconder os prejuízos.

Executivos rompem as regras do jogo em escala escandalosa depois do boom. As ações em alta dão uma sensação de invencibilidade e quando o mercado vai para baixo é preciso maquiar os números.

Advertências não faltaram sobre os feitiços da Nova Economia, mesmo da parte daqueles que ajudaram a dar essa sensação de invencibilidade.

O mago Alan Greenspan falou da exuberância irracional, e o guru da bolsa Warren Buffett pontificou: "Fique temoroso quando os outros são gananciosos e seja ganancioso apenas quando os outros estão temerosos".

Mas como conter a ganância ou a exuberante desonestidade? Os excessos são inerentes ao sistema capitalista e inebriam ainda mais quando os modelos econômicos tradicionais são desacreditados.

A Nova Economia não foi a primeira a oferecer gratificação instantânea e, como as anteriores, prometeu que tudo seria diferente.

Não é diferente, e já estamos no terreno familiar do ressentimento, da recriminação e do jogo de culpa. Com imediatismo, alguns culpam esta curta era Bush. O presidente, que chegou ao poder em meio a acusações de irregularidades na sua eleição, deu vazão para essa avalance de fraudes corporativas.

Outros, com oportunismo, apontam para a era Clinton. O presidente do perjúrio e de Monica abriu o caminho para as Sodomas e Gomorras financeiras.

E é claro temos os radicais. Nenhuma surpresa. O capitalismo é uma fraude. Os radicais não apostam na Bolsa. Eles apostam no fim do sistema. Mas será que essa mentalidade do ganho a jato e na base da falcatrua de um punhado de capitalistas pode destruir o capitalismo?

Não há dúvida de que no sistema existem falhas éticas e o próprio mercado tem imperfeições perigosas, mas a capacidade autocorretiva ganha intensidade quando os abusos se tornam intoleráveis.

Indignação moral com os escroques é razoável, e cadeia para eles, mas há tarefas urgentes como restaurar a confiança dos cidadãos-investidores no sistema.

Uma era de regulamentações é inevitável após tantas folias e fraudes. A memória curta também é inevitável, e dia menos dia nós voltaremos a acreditar em uma Nova Economia. Até lá vamos acertar as contas, honestamente.
 
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