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20 de junho, 2002 - Publicado às 22h54 GMT
Dólar dispara no Uruguai
Uruguaios fizeram panelaços contra política econômica
Uruguaios fizeram panelaços contra política econômica

A cotação do dólar teve um aumento de 40% nos mercados de câmbio do Uruguai depois que o ministro da Economia, Alberto Bensión, anunciou que a partir desta quinta-feira o governo deixará a moeda do país - o peso - flutuar livremente.

O dólar, que estava cotado a 17,50 pesos uruguaios na manhã da quarta-feira, chegou à marca dos 27 pesos quando os bancos reabriram para as operações da tarde.

Segundo analistas, os primeiros a se beneficiarem com a flutuação do peso serão os exportadores e o próprio governo, uma vez que o comércio exterior recuperará a competitividade. Os mais prejudicados serão os importadores e os consumidores, já que vários produtos da cesta básica são importados.

Desde 1992, o Uruguai utilizava o sistema de bandas cambiais para definir a cotação do peso.

Desvalorização

De acordo com o ministro da Economia, a medida foi tomada de forma voluntária, em resposta aos efeitos da crise argentina e dos problemas brasileiros na economia uruguaia.

O Uruguai está em recessão há mais de três anos e a crise na Argentina agravou a situação, provocando efeitos no comércio, no turismo e no sistema financeiro do país vizinho.

Nos últimos meses, o peso uruguaio sofreu uma desvalorização de 14% dentro do sistema de bandas cambiais.

"Eles não poderiam sustentar uma política cambial como essa após a desvalorização das grandes economias que influenciam a região", declarou Maria Paz Ferreres, economista da consultoria Orlando Ferreres, em Buenos Aires.

Analistas afirmam que, com a desvalorização do peso uruguaio, o banco central do país não será forçado a gastar suas reservas internacionais para sustentar a moeda.

No entanto, a medida aumenta o temor de que o custo da dívida externa uruguaia possa entrar em uma espiral fora de controle, caso o peso sofra uma desvalorização muito grande.

"Se a taxa de câmbio sofrer uma depreciação substancial, o governo vai ter mais dificuldades para administrar a dívida uruguaia", afirmou Marco Santamaria, analista do banco Lehman Brother, em Nova York.

Nas últimas semanas, agências de classificação de risco reduziram a nota da dívida externa uruguaia - que avalia a capacidade do país de honrar seus compromissos.

No mês passado, o FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciou a liberação de uma ajuda de US$ 1,5 bilhão para o Uruguai, após o governo do país aumentar os impostos para reforçar os cofres públicos.
 
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