| 15 de maio, 2002 - Publicado às 02h09 GMT |
| Ex-auditor confirma destruição de papéis do caso Enron |
 O ex-auditor da Andersen David Duncan
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David Duncan, ex-auditor da Arthur Andersen, afirmou na terça-feira que viu funcionários da empresa destruírem documentos relacionados com a falência da companhia de energia Enron.
Em seu segundo dia de depoimentos, Duncan disse que a destruição dos arquivos começou após uma reunião em 23 de outubro, quando ele deu uma "instrução codificada" para que os funcionários da Andersen destruissem documentos que pudessem incriminar a empresa de auditoria.
De acordo com o ex-auditor, embora não tenha sido explícita, a ordem "foi compreendida" por todos. "Eu esperava que todos os sócios e gerentes (da Andersen) fizessem o mesmo", disse.
Na segunda-feira, Duncan já havia admitido ter participado da destruição dos documentos relativos à auditoria que a Andersen realizava na Enron - um crime que prevê pena de até dez anos de prisão.
Acusações
A Andersen é acusada de destruir os documentos para esconder sua cumplicidade com a estratégia contábil irregular da Enron.
Os promotores afirmaram repetidamente que a Andersen foi leniente demais com a Enron e disseram que o dinheiro recebido pela empresa de auditoria pelo trabalho poderiam ter comprometido sua objetividade.
A Enron pagou à Andersen US$ 58 milhões em 2001.
Outros auditores da Andersen declararam em seus depoimentos que Duncan aprovava os balanços, contrariando instruções de seus superiores.
Duncan havia se recusado a testemunhar em comissões do Congresso americano, mas admitiu que obstruiu a ação da Justiça.
Os ex-empregadores de Duncan ficaram irritados e disseram que ele havia mudado completamente suas declarações meses depois de ter se apresentado como inocente.
No depoimento desta semana, Duncan apresentou pela primeira vez a sua versão do envolvimento da Andersen com a Enron desde o início do escândalo.
Até então, os trabalhos da Justiça americana se concentravam em apurar se um advogado da Andersen instruiu seus subordinados a destruir documentos ou se eles agiram por ordem direta de Duncan.
David Duncan alega que estava colocando em prática uma recomendação enviada por e-mail pela advogada da Andersen, Nancy Temple, que nega ter dado a orientação. |
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