| 01 de maio, 2002 - Publicado às 10h20 GMT |
| Grupo Santander ameaça deixar de investir na Argentina |
 Executivo diz que banco só tem liquidez para 90 dias
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O grupo financeiro espanhol Santander Central Hispano (SCH) ameaça suspender seus investimentos na Argentina, caso o governo do país não seja capaz de garantir um "sistema financeiro viável".
Em Madri, Alfredo Sáenz, principal executivo do SCH, afirmou que a crise argentina reduziu os lucros do grupo no primeiro trimestre e declarou que a filial do Santander no país, o Banco Río de la Plata, "só tem liquidez para três meses".
"Não vamos colocar mais dinheiro se não houver um sistema financeiro viável e rentável. Agora, o sistema é confuso", disse Sáenz.
Em entrevista ao jornal argentino Clarín, executivos do Banco Río de la Plata procuraram minimizar o impacto das declarações de Sáenz, mas admitiram que a instituição espera que o governo da Argentina adote uma política econômica estável.
Falta de liquidez
"Na realidade, não temos sérios problemas de falta de liquidez e, em termos comparativos, dentro da gravidade da crise, estamos melhor que outros bancos", disseram representantes do banco ao Clarín.
"O Banco Río de la Plata pode continuar se desenvolvendo, desde que o governo argentino defina se há lugar na Argentina para um sistema financeiro viável", acrescentou um executivo.
Alfredo Sáenz assumiu o cargo de principal executivo do grupo Santander há dez semanas e, desde então, procurou acelerar o processo de redução dos custos na instituição.
A intenção é reverter a queda nos empréstimos bancários e compensar a desvalorização do peso e a suspensão dos pagamentos da dívida argentina.
Apesar dos efeitos da crise argentina, Sáenz afirmou que o SCH não modificou suas previsões para 2002 e espera um crescimento de 10% nos lucros.
Para isso, o grupo Santander prevê o fechamento de agências na Espanha, a antecipação de aposentadorias e a aceleração do processo de informatização de seus mais de 15 bancos na América Latina.
Mesmo com os problemas em Buenos Aires, os lucros do SCH na América Latina cresceram 21% no primeiro trimestre, impulsionados pelo aumento de 177% dos lucros do Banespa (filial brasileira do Grupo Santander) e pela redução de 14% dos custos administrativos da instituição. |
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