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01 de novembro, 2001 - Publicado às 09h05 GMT
Celulares 3G: promessas e dificuldades

Mark Ward

Em meio ao contínuo desenvolvimento tecnológico, fica cada vez mais difícil entender o que mudou em um novo modelo dos produtos eletrônicos que usamos em casa ou no escritório.

Especialmente quando se trata de um telefone celular. Os primeiros modelos de celular eram tão portáteis e atraentes quanto uma geladeira.

Hoje eles são discretos, bonitos e versáteis. Mas as melhoras feitas em cada modelo só se tornam claras quando você começa a usá-lo.

A terceira geração de telefones celulares vai dar continuidade a essa tendência. Os aparelhos terão a mesma aparência mas as funções atribuídas a eles vão simplesmente se multiplicar.

Velhos tempos

Antigamente, quando todos os telefones eram fixos, fazer uma ligação envolvia estabelecer uma conexão elétrica entre o seu aparelho e aquele para o qual você estivesse telefonando.

O mesmo ainda acontece com celulares GSM, mas em vez de se estabelecer um circuito exclusivo, apenas uma pequena porção de ondas é reservada para a sua ligação.

Essa é uma forma muito precária de dividir as ondas disponíveis já que os espaços e as pausas na conversa ganham a mesma prioridade, ou ocupam o mesmo espaço, que as palavras.

As redes 3G mudam tudo isso. Ao invés de reservar espaço nas ondas, a conversa é dividida em pedaços de informação, cada qual é identificado com um código. Esses "pacotes" são então transferidos, desembrulhados (ou seja, decodificados) do outro lado da linha.

Há diferentes sistemas para esse tipo de rede e eles utilizam diferentes técnicas e tecnologias para permitir que as pessoas façam ligações quando estão em movimento. O sistema que muitas redes de GSM devem adotar é conhecido como Universal Mobile Telecommunication Services (UMTS).

Incompatibilidades

No entanto, os Estados Unidos estão pensando em usar um sistema diferente, o que preservaria as atuais incompatibilidades.

Com essa mudança, redes 3G poderão ter um número muito maior de assinantes e poderão baixar arquivos de informação muito mais rapidamente. Atualmente, as redes GSM permitem transmitir dados a uma velocidade de 9,6 kilobits por segundo (kbps).

Com as redes 3G, o tempo de baixar um arquivo será reduzido para 2 megabits por segundo, se você estiver parado, e 384 kbps se estiver em movimento.

Essa é a velocidade máxima que pode ser atingida e ela tende a diminuir com o uso simultâneo do serviço por muitos usuários em uma mesma área de cobertura. É possível que em horários de pico os usuários consigam uma velocidade apenas ligeiramente superior a de telefones fixos, nos quais a velociddae é de 56 kbps.

Usar pacotes de informação para transmitir som e arquivos de dados significa que seu telefone está sempre conectado com a rede. Ou seja, e-mails, videoclips e mensagens de texto passarão a ser transmitidas instantaneamente para o seu telefone. Dessa forma, você não precisará mais discar um número para verificar sua caixa postal.

A mudança para redes 3G vai permitir que você acrescente inúmeras funções ao seu celular. Seu aparelho poderá conter, por exemplo, bilhetes de trem, ingressos para o teatro, cupons de desconto ou até mesmo o código eletrônico para abrir a porta da sua casa.

No entanto não seria fácil administrar todas essas funções adicionais em um pequeno aparelho como os que temos hoje. O tamanho dos telefones atuais dificulta a digitação de informações e a tela não favorece a visualização de informações de arquivos enviados.

Por isso os fabricantes devem aumentar o tamanho dos aparelhos de forma que possam comportar baterias para os novos serviços e placas de chip para serem colocadas nos telefones dessa e da próxima geração.

No entanto, como informa a correspondente da BBC, Ania Lichtarowicz, essa revolução não deve ocorrer de um dia para o outro uma vez que a estrutura de operação necessária para operá-la é complexa e cara.

Telefones 3G foram lançados comercialmente em Tóquio e ainda assim só operam em um raio de 30 quilômetros da cidade.

Muitas companhias acompanharão a experiência japonesa, iniciada este mês, para avaliar a possibilidade de lançar o serviço em outros países, mas crescem os receios de que a tecnologia não vai se tornar tão popular quanto o esperado inicialmente. Ou pelo menos não tão cedo.







 
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