Outros sites da BBC |
![]() Iain Bruce, repórter especial da BBC O Brasil passou a desempenhar um papel mais importante no narcotráfico internacional na década de 90. A droga produzida nos países andinos começou a ser exportada para os Estados Unidos e para a Europa através do país. Essa foi uma saída natural, uma tentativa de fugir da vigilância nas rotas tradicionais. Hoje, a droga ainda é levada aos grandes centros de consumo através do México e do Caribe, mas há rotas já consolidadas que incluem o Brasil. Pasta de coca Na década de 80, e até meados dos 90, a folha de coca era cultivada e transformada em pasta-base principalmente na Bolívia e no Peru. De lá, a pasta-base era levada até a Colômbia, para ser processada e transformada em em cloridrato de cocaína, HCI, a cocaína pura. Daí, então, a coca era levada, via Caribe, e depois via México, para os grandes mercados: Estados Unidos e Europa. Pistas de pouso A rota Peru-Colômbia era muito vigiada. O Peru e os Estados Unidos assinaram um acordo permitindo que pequenos aviões, que estariam transportando a droga, fossem abatidos no ar. Para fugir desta vigilância, os aviões passaram a usar o espaço aéreo brasileiro. A pasta de coca era transportada também, num volume menor, pelos rios da Amazônia brasileira. Os aviões usados pelo tráfico não tinham grande autonomia de vôo. Daí a necessidade de se construírem pistas de pouso clandestinas na mata. Repressão Na segunda metade da década de 90, com o aumento à repressão ao cultivo no Peru e Bolívia, a produção foi deslocada. A Colômbia passou a controlar todo o processo: do plantio ao refino. Nessa mesma época, o controle do narcotráfico na Colômbia estava se descentralizando, depois do desmantelamento dos cartéis de Medellín e Cali. O papel do Brasil no narcotráfico mudou. O Brasil passou a ser rota de transporte da droga para a Europa. A Polícia Federal diz que não é possível fazer uma avaliação precisa do volume de droga que passa pelo Brasil. Sabe-se que as rotas mais importantes de exportação para o norte ainda passam pelo México e pelo Caribe. Mas, há dois anos, investigadores europeus disseram que cerca de 8% de toda a cocaína dos países andinos já passava pelo território brasileiro. Esses países são responsáveis por 80% da produção mundial. Rotas Há duas rotas principais no Brasil. A parte que vai para o consumo interno nas grandes cidades do centro-sul, em geral cocaína de baixa qualidade, vem principalmente da Bolívia e do Paraguai, via Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Uma parte da cocaína que vai para Europa e Estados Unidos também passaria por essa rota, saindo pelos principais portos do país, como Santos e Rio. Mas esse volume não é muito significativo. A outra rota, pelo norte da Amazônia, abasteceria principalmente a Europa, e talvez em parte os Estados Unidos. A droga é transportada por rio e em pequenos aeronaves. Suriname Uma das conexões mais importantes seria via Suriname - ex-colônia holandesa - e, de lá, até Roterdã, na Holanda. A próxima fase, sobre as quais ainda não há provas muito claras, é a transferência dos laboratórios de refino da pasta de cocaína para a Amazônia brasileira. Esses laboratórios estariam na região de Manaus e Belém, mais uma vez fugindo da repressão à produção da cocaína na Colômbia. |
|||||||||
|
|
||