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23 de junho, 2000 Publicado às 23h00 GMT

 
Posto de controle da PF tem apenas seis agentes

Policial federal patrulha os rios da Amazônia

Iain Bruce, enviado especial a Anzol

"Isto é cocaína pura. É cloridrato, 3 quilos e 100 gramas. Vale uns US$ 1.800,00 o quilo aqui em Tabatinga. Já em Manaus, sobe mais o preço. Quando chega à Europa, o preço pode ser de US$ 100 mil o quilo ou mais. Ou seja, este pacote pequeno pode chegar a valer mais de US$ 300 mil."

O agente especial Roberval Azevedo, chefe da Polícia Federal em Anzol, no Alto Solimões, mostra as drogas que os policiais encontraram no dia anterior, escondidas dentro do tanque de um barco vindo da Colômbia.

Também na mesa estão 25 quilos de pasta de coca.

"Provavelmente ia para Manaus ou Belém, onde seria transformada em cocaína pura," diz Azevedo.

Seis agentes

A base de Anzol tem apenas seis agentes em plantão permanente.

Trata-se do principal posto de controle antinarcóticos da Policia Federal na fronteira com a Colômbia.

O outro posto é ainda menor, em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro.

De lancha rápida, Anzol fica a duas horas e meia de Tabatinga, rio abaixo.

No caminho, o equipe de Roberval dá uma mostra de como eles interceptam o tráfego fluvial.

Claro que, com a presença de um jornalista estrangeiro, há um elemento de "show". Eles param, interrogam, fazem buscas.

Duas mulheres índias mostram na cara o medo, quando os agentes, armados com fuzil automático, param a nossa lancha ao lado delas.

Mas tudo é feito com respeito. Logo depois, o agente Roberval desiste de parar uma canoa.

"Tem menino. Não quero assustar," diz ele.

Segundo o padre Joseney Lira, da diocese do Alto Solimões, não é sempre assim.

"Quando eles pegam, eles batem mesmo. Batem feio. Acho que com a (Polícia) Federal falta ainda uma "interface" com a população, fazer um trabalho educacional para dizer qual é a função deles," afirma o padre.

Posto de controle

Na base de Anzol, todo barco entrando no Brasil tem que parar.

Não é somente a cocaína que eles pegam. Depois de muita insistência, interrogando um velho índio e seus filhos, um dos agentes descobre dezenas de garrafas de cachaça escondidas debaixo do piso de madeira do seu pequeno barco.

"A Funai não permite," diz o agente federal.

Mas há casos mais sérios.

Um barco grande, com letreiros em espanhol, foi parado com 5 mil litros de gasolina a mais do que a sua documentação autorizava.

"Este excesso seria para dar de apoio aos narcotraficantes, ou até aos guerrilheiros."

Convênio

Existe um convênio de 1925 que dá livre passagem aos barcos por estas águas.

"Sai de Leticia, do lado colombiano, passa pelo Brasil, e volta para Colômbia, subindo o Rio Içá."

O próprio Roberval reconhece que com tão poucos agentes, o seu controle sobre o rio é limitado.

Atrás do prédio, ele mostra a mata.

"Há vários trilhas."

Os traficantes podem parar rio acima, carregar a sua mercadoria alguns quilômetros pela mata, e depois carregar novamente um pouco mais adiante.

"Falta recursos para a gente."

Com isto, o padre Joseney concorda.

"Este contingente nosso da Federal não dá conta da demanda, não dá. Eles estão aqui, a coisa estoura do outro lado. A coisa é muito mais séria, é grave. Eu acho que está sem controle," o padre afirma.

Mas o prefeito de Tabatinga, Raimundo Nonato, insiste que a solução tem que ser econômica.

"Não adianta colocar 500 policiais federais aqui, se a comunidade não tem de onde sobreviver," diz ele

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© BBC World Service
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