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23 de junho, 2000 Publicado às 23h00 GMT

 
Polícia controla 1.000 km de fronteira com apenas 2 postos

A repressão ao narcotráfico preocupa os americanos

Iain Bruce, repórter especial da BBC

O narcotráfico no Brasil tem três realidades distintas, embora conectadas entre si.

São elas: o narcotráfico em grande escala, que utiliza o Brasil como rota entre os países andinos produtores e os grandes mercados da Europa e América do Norte; o tráfico de varejo, que distribui as sobras deste grande tráfico nos centros urbanos nacionais; e a lavagem de dinheiro, sobre a qual ainda se sabe relativamente pouco, apesar das investigações da CPI do Narcotráfico.

Quanto ao tráfico pelas fronteiras, ninguém tem números confiáveis.

Em Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, muita gente acredita que a situação está fora de controle.

Sabe-se que a fiscalização é mínima.

Nos mais de mil quilômetros de fronteira com a Colômbia, a Polícia Federal tem apenas dois postos de fiscalização.

Um, no Alto Rio Solimões, em que ficam permanentemente seis agentes de plantão. E outro posto, menor, no Alto Rio Negro. Nada mais.

Exército

No resto da fronteira, o policiamento é feito apenas pelo Exército. São seis ou sete pelotões, com algumas dezenas de soldados.

O comandante militar da Amazônia, o general Alcedir, alerta ainda para um problema, que de certa forma se procura minimizar com o pacote de segurança do governo de Fernando Henrique.

O general Alcedir lembra que a Constituição de 1988 não permite que os militares participem diretamente do controle ao tráfico.

Os Estados Unidos vêm pressionando o Brasil, ainda que de forma discreta, para que as Forças Armadas entrem na guerra contra a droga.

A participação do Brasil é vista como importante porque integraria os esforços de combate na região - principalmente na Colômbia.

Na quinta (dia 22 de junho), o Senado dos Estados Unidos aprovou empréstimo de US$ 1 bilhão para a Colômbia, como parte da luta contra os cartéis das drogas.

Pobreza

Para a população da região, a situação é difícil. A região é pobre, a economia tradicional não oferece muitas alternativas, e o tráfico acaba se tornando uma opção: para quem planta a coca, para quem produz, para quem participa de alguma forma no ciclo das drogas.

Nos grandes centros urbanos, a relação entre a droga e a miséria é também evidente. Quanto mais pobre a comunidade, mais exposta fica ao tráfico, mais violenta é a intervenção policial.

Até agora, os esquemas de policiamento comunitário mal chegam aos bairros mais carentes.

E, quanto maior a carência de serviços básicos, como água e luz, maior é o espaço aberto para que os traficantes locais ocupem o seu espaço, com uma combinação de violência, intimidação e assistencialismo.

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