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Arranha-céus mudam a silhueta de Londres

Apesar das previsões de que os dias dos arranha-céus estavam contados - depois do atentado do 11 de setembro e das freqüentes ameaças de atentados em Londres -, continua crescendo o número de projetos para espigões na capital britânica.

Na City londrina, o centro financeiro da cidade, a sede da empresa de resseguros Swiss Re, apelidada de "pepino erótico", está na fase final da construção.

Novos arranha-céus serão erguidos na City e outros bairros, na próxima década, transformando a paisagem de Londres.

O projeto para um prédio de 50 andares, o Minerva, já foi aprovado e um outro edifício de vidro com 48 andares também está sendo planejado para o centro da cidade.

Prestígio nas alturas

O Tower 42 (ou Torre 42), que era o prédio mais alto de Londres quando foi construído, em 1980, há muito tempo foi ofuscado pela Torre de Canary Wharf, de 50 andares, na futurista região das docas (onde estão sendo erguidos vários edifícios modernos).

Mas vem mais por aí: quando a London Bridge Tower, um edifício de 66 andares, também conhecido como Caco de Vidro, for construído ao sul do rio Tâmisa, ele será um dos prédios mais altos da Europa.

Arranha-céus em endereços nobres dão prestígo a empresas que estão em busca de uma nova sede, diz Paul Finch, diretor do Architects’ Journal, publicação especializada em arquitetura, e vice-presidente da Comissão para Arquitetura e Áreas Construídas.

Ele está convencido de que um centro financeiro internacional de primeira linha tem que ter arranha-céus, e acha que as empresas se sentem compelidas a se instalarem em edifícios cada vez mais altos.

Novos marcos

"Parece ser uma coisa de ego corporativo ou ambição. É a síndrome de Mestre do Universo", diz Finch.

"Você se sente importante. Tem um lado comercial, um lado psicológico e um lado corporativo."

Mas ele faz a ressalva de que os novos marcos de Londres precisam de um design diferente.

Paul Finch argumenta que, quando a torre de Canary Wharf foi construída, ela estava "esplendidamente isolada", mas, agora, está cercada por espigões menos interessantes.

Peter Rees, o responsável pelo planejamento urbano do centro financeiro londrino, disse que "a silhueta da City não vai se transformar em Manhattan nos próximos cinco anos".

"Mas haverá um grupo de arranha-céus em torno da Torre 42, perto do Banco da Inglaterra, num local que não ameaçará a vista da Catedral de São Paulo", acrescentou.

"Não estamos fazendo isto para mudar a silhueta, e sim porque precisamos de mais escritórios cercados por transporte público", concluiu Peter Rees.

A sede da seguradora Swiss Re, na City de Londres
O plano é concentrar um grupo de prédios altos no centro da cidade

Teme-se que, sem os arranha-céus, algumas empresas transfiram suas sedes para cidades como Nova York, Chicago, Hong Kong ou Tóquio.

Reação favorável

Peter Rees acha que uma mistura de prestígio, vista panorâmica, necessidades de acomodação e a criação de centros de excelência explica porque as empresas querem esses edifícios altos.

Quanto ao público, ele diz que "é impressionante como as pessoas estão ficando mais receptivas à idéia".

O prefeito de Londres Ken Livingstone também é favorável a prédios altos nos lugares certos.

Ele já disse que espera ver um número limitado de edifícios bem altos – construídos num ritmo de um por ano -, a maioria provavelmente na City, no bairro de Canary Wharf e em outras partes do centro da cidade.

"Resistentes a explosões"

Os trabalhos na Heron Tower, de 42 andares – um complexo de escritórios e lojas aprovado há dois anos – ainda não começou.

O responsável pelo projeto, Fred Pilbrow, disse que, depois do 11 de Setembro em Nova York, o design está sendo revisto por questões de segurança. O prédio será "resistente à explosão".

Cerca de 2,5 mil pessoas trabalharão na torre mas ela terá apenas 11 vagas para carros porque fica perto de 10 estações de metrô.

"Não podemos continuar expandindo eternamente para fora. Temos que construir em lugares de maior densidade no centro da cidade", disse Fred Pilbrow.

Em outra parte da capital, ao sul do Tâmisa, os construtores do Caco de Vidro acreditam que o complexo de escritórios, lojas, hotel e apartamentos de cobertura, assinado pelo famoso arquiteto italiano Renzo Piano, será uma novidade atraente na silhueta da cidade.

"O prédio se tornará um ícone", disse Baron Phillips, porta-voz do grupo Sellar Property.

Preocupações

Mas nem todo mundo aprova o volume de projetos que está sendo submetido às autoridades para a construção de arranha-céus na cidade.

English Heritage, o órgão de preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Inglaterra, é um dos que se preocupam com o fato de que marcos tradicionais, como a cúpula da catedral de São Paulo, ficarão obscurecidos.

A organização foi contra a construção do Caco de Vidro e da Heron Tower – ambos aprovados.

Mesmo assim, o representante do English Heritage em Londres, Nicholas Antram, reconhece que o Caco de Vidro é "um prédio impressionante, único".

O English Heritage insiste que prédios altos têm que ser bem planejados e ter alta qualidade arquitetônica.

"Nós temos que ter certeza de que são construídos nos lugares certos e que não afetam nosso querido patrimônio", disse Antram. "Basta olhar ao redor para ver os erros cometidos nos anos 60."

Enquanto isso, arquitetos e empreiteiras continuam defendendo o futuro dos arranha-céus.

"Até o arquiteto Christopher Wren teve problemas para conseguir a aprovação para construir a catedral de São Paulo", disse Baron Phillips.

Novos arranha-céus em Londres