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Atualizado às: 19 de março, 2004 - 21h57 GMT (18h57 Brasília)
 
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Cineasta brasileiro mostra seu histórico amoroso em documentário
 

 
 
Imagem do filme Todas as Mulheres que Amei
Henrique Goldman retrata no filme todas as mulheres que amou
O cineasta brasileiro Henrique Goldman passou a metade de sua vida fora do Brasil. Morou em diversos países e namorou mulheres de várias nacionalidades, que falavam línguas diferentes.

Ele resolveu contar essas histórias, sem esconder detalhes picantes e momentos desagradáveis, num documentário que vai ser transmitido no segundo semestre pelo Channel Four da TV britânica.

O filme vai participar também do festival de documentários É Tudo Verdade, com exibições previstas no dia 28 de março no Rio e 4 de abril em São Paulo.

Bem ao gosto do público que adora espiar a vida dos outros e decreta o sucesso de programas como Big Brother, o documentário Todas as Mulheres que Amei não esconde a verdade nem mesmo quando dói.

'Grande dor'

Por exemplo quando a ex-mulher italiana, Roberta, confessa que o casamento para ela não teve nada de alegre, mas foi um "momento de grande dor", que sentiu-se usada por ele e o acusa de ser egocêntrico e carente.

"Eu sabia que aquele era um terreno minado", afirmou Goldman, que atualmente vive e trabalha em Londres, em entrevista à BBC Brasil. "Se fazer o filme foi como ir ao dentista, encontrar com ela foi doloroso como uma quimioterapia porque ela ficou com uma certa raiva de mim. Mas eu sabia que se a pegasse de jeito ela ia falar. Espero que quando assistir o filme, a raiva passe."

As divertidas tentativas de encontrar a primeira namorada, Mariana, que mora em São Paulo, atravessam todo o filme. Henrique Goldman fez de tudo, pediu até um apelo via rádio ao amigo Marcelo Tas, mas não conseguiu falar com ela.

Segundo uma amiga comum, que foi entrevistada, a culpa é do próprio Goldman. "Ele era muito pegajoso e claustrofóbico, não dava trégua para a Mariana."

Imagem do filme 'Todas as Mulheres que Amei'
Imagem do filme 'Todas as Mulheres que Amei'

O documentário de 50 minutos, feito principalmente de depoimentos, não vai ser transmitido na Itália para evitar problemas com o marido de uma atriz com quem o cineasta teve um caso.

A história é contada, mas a moça aparece com o nome trocado e o rosto coberto por efeitos especiais. "Ela reconheceu o direito de eu contar uma história que era minha também", explicou Henrique Goldman.

As entrevistas, com seis ex-namoradas, a ex-mulher e a atual esposa, foram feitas em três línguas: inglês, português e italiano.

Elas formam uma espécie de álbum de imagens e recordações, alternando momentos de alegria, saudade e rancor.

Um retrato das mulheres mais que dele próprio, segundo o cineasta, que rejeita a acusação de querer se exibir com o filme.

"É quase um caso de masoquismo porque me expus em tudo o que tem de bom e de ruim", se defende, "minha história é como a de qualquer outro homem e, além do mais, meu interesse é trabalhar nesse paradoxo, isto é, quanto mais a gente penetra na intimidade de uma pessoa, mais toca a humanidade inteira. Quanto mais pessoal, mais universal."

 
 
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