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Atualizado às: 23 de agosto, 2003 - 20h29 GMT (17h29 Brasília)
 
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Edimburgo vira capital cultural do mundo por 2 dias
 
 

 
 
O espetáculo foi apresentado no Fringe
O espetáculo foi apresentado no Festival de Teatro Fringe

A cidade de Edimburgo, na Escócia, pode seguramente dizer que é a capital cultural do mundo… pelo menos neste fim de semana.

Nada menos do que seis festivais estão ocorrendo simultaneamente na cidade. Alguns estão apenas começando, como é o caso do Mela, só sobre a cultura asiática.

Outros, como o Fringe, o maior festival de teatro do planeta, está encerrando suas apresentações após uma maratona de três semanas.

Edimburgo abriga ainda o Festival Internacional de Cinema; o Festival de Literatura; o Festival Internacional, com óperas e concertos de musica clássica; e o Military Tatoo, uma festa de paradas militares.

Com cerca de 1,5 mil espetáculos, mais de 20 mil apresentações ocorrendo a cada minuto e uma população de milhares de artistas e turistas, a cidade vira um grande palco e a qualquer momento um pedestre desavisado pode virar parte do show.

“Enquanto houver gente interessada em se apresentar, locais para esses espetáculos e pessoas para assistir, os festivais de Edimburgo vão continuar crescendo ano a ano”, declarou o diretor do Fringe, Paul Gudgin.

Batalha

Na batalha pelo público, as armas são as mais inusitadas. Algumas companhias escolheram locações bizarras para encenar suas peças: elevadores, banheiros, ônibus, cabines telefônicas e até um andaime e uma escada serviram de cenário.

O motorista de ambulância Adrian Green, trouxe para Edimburgo uma van de oito lugares e circula pela cidade com seus passageiros ao som de musica dos anos 70.

De vez em quando, para e “obriga” o espectador a dançar na rua com uma peruca estilo "black power".

“Não posso reclamar do sucesso e da divulgação que estou tendo”, disse Green. “Algumas pessoas já reconhecem o meu táxi e, assim, eu ganho mais público.”

Outro campeão de audiência é "5065: Fancy a Lift?", uma série de 55 espetáculos diferentes que acontecem em um elevador.

A trupe promove as peças com cartazes que dizem: “Venha ter uma experiência elevadora”.

Outra fórmula de sucesso é a que mistura humor e personalidades da política internacional.

O “terrorista cômico” Aaron Barschak, que ficou conhecido ao invadir a festa de 21 anos do príncipe William, em junho, trouxe para Edimburgo o espetáculo "Osama Likes it Hot" e circulou pela cidade usando as roupas e a barba como o dissidente saudita Osama Bin Laden.

O presidente deposto do Iraque, Saddam Hussein, pode ser "visto" todos os dias distribuindo panfletos na Royal Mile, que concentra o teatro de rua e é o coração da parte antiga da capital escocesa.

“Nos últimos meses, a imagem de Saddam Hussein entra na casa das pessoas todos os dias. Então, chega uma hora em que elas precisam rir da situação”, disse o comediante Jeff Mirza, o sósia de Saddam, que está com o espetáculo “Walking with Muslims”.

Nem líderes do passado foram poupados: o ex-presidente da antiga União Soviética Josef Stalin é tema de um musical.

Escolha difícil

O preço médio do ingresso para um espetáculo do Fringe é de 7 libras (cerca de R$ 35) e as peças costumam durar em torno de uma hora.

Diante de tantas opções e da possibilidade de acabar assistindo a algo que não valha o dinheiro, o público fica perdido.

Para o diretor do Fringe, Paul Gudgin, as resenhas da mídia e a divulgação feita pelos próprios atores nas ruas da cidade ajudam, mas o boca-a-boca ainda é o que mais funciona para saber o que escolher.

“Edimburgo deve ser o único lugar do mundo em que as pessoas gostam de ficar em uma fila porque, enquanto esperam, elas vão trocando opiniões”, afirmou Gudgin.

Segundo ele, a enorme oferta de espetáculos vem crescendo e ainda deve manter a tendência nos próximos anos.

“A única coisa que pode limitar o Fringe é a disponibilidade de hospedagem em Edimburgo, ou porque há poucos quartos disponíveis ou porque os hotéis tendem a ficar cada vez mais caros”, explicou.

Mas Gudgin se diz otimista: “Todo ano descobrimos novos espaços que podem servir de teatro e, principalmente, os artistas continuam querendo vir a Edimburgo”.

 
 
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